“Em Portugal, a imagem dos nossos executivos é, na minha opinião, demasiado cinzenta, boring, até”. É assim que Sandra fala sobre as “lacunas” dos executivos portugueses ao nível do styling e da imagem. “Finalmente as pessoas começam a perceber que só têm a ganhar com a contratação de um serviço de consultoria de imagem”, diz a empreendedora que revela que a empresa chega a ser procurada por pessoas que vão ter uma entrevista de emprego (ou mesmo mudar de emprego) e que querem projetar uma imagem de acordo com o cargo a que se vão candidatar ou ao novo cargo.
Formada em Personal Fashion Styling pelo London College of Fashion (University of the Arts London) e pós-graduada em Consultoria de Imagem pelo IPAM, Sandra Cardoso Monteiro trabalhou na última década em Relações Públicas e Comunicação, sendo parter da Midlandcom – Consultores em Comunicação. É licenciada em Comunicação Social e Educação Multimédia (Instituto Politécnico de Leiria), e pós-graduada em Comunicação Estratégica e Assessoria Mediática (ISLA Lisboa) e em Marketing Relacional (ISCTE). É ainda docente do ensino superior.
Briefing | Quatro meses depois do seu lançamento que balanço se pode fazer da Stand Out?
Sandra Cardoso Monteiro | O balanço é bastante positivo, apesar de estarmos a atravessar um período de crise económica e financeira. Posso afirmar que está a superar as expectativas, tendo em conta que estamos a lançar um conjunto de novos serviços no mercado. O meu background profissional e a minha formação permitiram-me estruturar um projeto que fosse ao encontro das reais necessidades do mercado, e de acordo, também, com aquelas que são consideradas as melhores práticas a nível internacional do personal styling.
Briefing | Quais têm sido as prioridades da empresa?
SCM | Primeiro que tudo continuamos a apostar na formação dos nossos quadros. A consultoria de imagem tal como a conhecemos em Portugal está ultrapassada, e a Stand Out está a introduzir um novo conceito em Portugal, que se adapta ao momento profissional de cada um, algo que faz todo o sentido, tendo em conta que hoje em dia já não há profissões para a vida, e a nossa imagem deve corresponder à profissão e ao cargo que desempenhamos nas empresas. E depois, temos apostado na divulgação dos nossos serviços junto das organizações que entendemos que podem beneficiar com a nossa oferta de serviços.
Briefing | Como pensam consolidar o negócio?
SCM | Continuaremos a promover os nossos serviços junto do nosso público-alvo e vamos continuar a desenvolver programas personalizados para as empresas, ao nível da imagem e do styling. E continuaremos a desenvolver o style for now junto dos executivos, um dos serviços que está a ter uma procura crescente. Mas o ponto máximo da nossa consolidação acontecerá quando as empresas assumirem que somos uma mais-valia para a sua imagem e reputação, e da mesma forma que têm uma assessoria de comunicação ou de marketing, e uma assessoria jurídica, passam também a ter uma assessoria de imagem dirigida não só à administração da empresa, como a todos os colaboradores. Isto implica uma mudança de mentalidades, evidentemente, mas a cada vez maior competitividade do mercado, em que a diferenciação dita quem ganha as oportunidades, vai acelerar o processo.
Briefing | Porque é que decidiram lançar a nova marca/empresa numa época de crise e cortes nos orçamentos das empresas para comunicação e imagem?
SCM | Nós, portugueses, não temos a cultura do risco, mas nesta época de crise o país precisa de empreendedores, de novos projetos e investimentos. E é nestas alturas que nascem as melhores ideias e projetos. Para além de ser evidente que, se numa situação de crise as oportunidades diminuem, portanto as que surgem são mais valiosas, as pessoas têm todo o interesse em munirem-se das ferramentas adequadas para aproveitarem essas oportunidades. E uma boa imagem é seguramente uma ferramenta muito adequada. No que diz respeito às organizações, estas necessitam de se consciencializar de que a imagem que os seus colaboradores transmitem é a imagem que o consumidor percepciona dessa instituição. Ou seja, uma boa imagem contribui para uma boa reputação, e esta potencia o negócio. Isto é, estamos a falar de dinheiro, de rendibilidade, de mais-valias, não de vaidade ou de egos.
Depois, nós estamos em crise hoje, mas esta crise não durará para sempre. E quando ela se atenuar ou desaparecer, nós cá estaremos, preparados para responder às necessidades dos clientes.
Briefing | Entre os executivos e as empresas qual tem sido a receção à vossa empresa?
SCM | A receção tem sido extremamente positiva, quer a nível individual, quer a nível corporativo. A reação é unanime, com toda a gente a reconhecer que uma oferta deste género fazia imensa falta no nosso país. Finalmente as pessoas começam a perceber que só têm a ganhar com a contratação de um serviço de consultoria de imagem. Isto porque poupam tempo e dinheiro e têm um guarda-roupa inteligente e profissional, que corresponde às suas necessidades em termos de imagem. E sabemos que, neste target, nem sempre sobra tempo para cuidar da imagem. E depois, chegamos ao ponto de sermos procurados por pessoas que vão ter uma entrevista de emprego (ou mesmo mudar de emprego) e que querem projetar uma imagem de acordo com o cargo a que se vão candidatar ou ao novo cargo, e que nos contratam.
Briefing | Quais as principais “lacunas” dos executivos portugueses na área de styling e imagem?
SCM | Em Portugal, a imagem dos nossos executivos é, na minha opinião, demasiado cinzenta, boring, até. Claro que há áreas, como a financeira, por exemplo, em que não podem fugir muito dos cânones instituídos quase internacionalmente. E depois há os dress codes instituídos nas organizações, muitos deles de alinhamento internacional, mas que não estão devidamente incorporados na cultura das empresas, ou seja, os colaboradores não têm a formação e a informação necessária para o adequarem à sua personalidade e estilo pessoal. E depois há ainda os dress codes que estão totalmente desajustados quer da identidade, quer do posicionamento, da missão e dos valores das organizações.
A nível pessoal, e na minha opinião, há dois grandes problemas: nos homens, é o fitting, o tamanho, a forma como as roupas assentam no corpo. Arriscaria mesmo a dizer que 70% dos homens não veste os tamanhos e os cortes adequados. Quanto às mulheres, o principal problema é estas não vestirem de acordo com o tipo de corpo que têm, seja em termos de cortes, de padrões e mesmo de tecidos.
Fonte: Briefing

