Outlook Briefing: Adaptação e oportunidade

Outlook Briefing: Adaptação e oportunidade

O ceo da agência Happy Brands, Mário Rui Silva, responde à pergunta do Briefing: “Que expectativas é que tem para o segundo semestre de 2012?”

“Nada faz prever que a espiral de recessão em que o país mergulhou se inverta, ou pelo menos, atenue. A conjuntura económica do resto da Europa não ajuda, nomeadamente a de Espanha – um parceiro por excelência nas nossas exportações – que fazem antever um agravamento no débil estado de saúde da nossa economia.

A acentuada quebra do consumo interno levou à falência empresas e a falta de liquidez das que sobrevivem não lhes permite investir. A queda de consumo é transversal a todos os sectores de atividade e irá manter-se provavelmente até final de 2013.

O consumidor das classes média e alta não só perdeu poder aquisitivo como está temeroso em relação ao futuro e até já faz economias em vez de gastar em bens mais ou menos desnecessários. O habitual shopper está a consumir muito menos. É mais racional que emotivo nas suas compras, passou a dispensar o supérfluo, o show off, a ostentação, e virou-se para consumos mais racionais e comedidos.

Esse mesmo consumidor hoje é também muito mais exigente. Quer qualidade a baixo preço. É menos impactado pela publicidade tradicional, sendo ele próprio a fazer os seus juízos de valor sobre as marcas e a determinar o que quer consumir, quando e onde, dispensando intromissões publicitárias. Prova recente disto é que, sem qualquer campanha publicitária, descontos de 50% em bens essenciais já passaram a fazer parte do seu dia-a-dia.

Trocar de carro de três em três anos é coisa do passado. Por isso o mercado automóvel decresceu 44% no primeiro semestre de 2012. Como é coisa do passado comprar casa, ter a última geração de telemóvel, de computador, ou de máquina fotográfica. Comer em restaurantes já só de quando em vez e levar o almoço para o emprego voltou a ser uma realidade. O velho fato, o sobretudo e a gabardina ainda aguentam mais um ano. As férias e as viagens estão hipotecadas no futuro próximo.

Os hábitos de consumo alteraram-se e refinaram. A presença assídua das marcas nos mass media deixou de ser tão importante como parecia ser. Por que será que os jovens só voam em companhias aéreas low cost quase desconhecidas, em detrimento da sua companhia de bandeira? E na hora decisiva da compra as marcas brancas assumem um papel determinante? Hoje, os meios de comunicar e as mensagens não são de todo as mesmas de há três ou quatro anos.

É neste novo paradigma que as agências de publicidade têm de enfrentar o segundo semestre de um ano até aqui já muito difícil. Espera-se menos investimento publicitário, rendibilidades mais baixas e subocupação das suas estruturas humanas.

Apesar de este cenário ser demolidor para a maioria dos agentes da indústria publicitária, ele abre também inúmeras oportunidades a quem se tenha apercebido, adaptado e preparado para esta nova forma de pensar e de agir.

A Happy Brands, sendo uma agência de nova geração, vai continuar a crescer. Compreendeu as mudanças estruturais da sociedade, os novos hábitos de consumo, estudou os novos consumidores e sabe como atingi-los e sensibilizá-los. Tendo nascido já neste contexto desfavorável, apostou na multidisciplinaridade de serviços, no aconselhamento estratégico, na criatividade e numa equipa de profissionais pequena, flexível mas eficaz, o que lhe permite responder com rapidez e com soluções adequadas às novas exigências do mercado, tudo a um custo/benefício muito interessante, coisa que hoje não é desprezível por nenhum cliente.

Quando o ciclo se alterar e o consumo e o investimento publicitário retomarem padrões de crescimento normais, a Happy Brands já terá criado músculo e estará apta a enfrentar todos os desafios”.

Fonte: Briefing

Terça-feira, 24 Julho 2012 09:07


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