Os holandeses McElroy, Jorna e Engelen vão mais longe e consideram que deverão ser medidos os recursos necessários e os recursos que efetivamente produzimos, em termos de capital humano, capital social e de construção de capital, incluindo a pegada ecológica, isto é, estender este conceito para incluir os aspetos sociais. De igual modo, o britânico Adrian Henriques aponta para essa extensão teórica, aproveitando os códigos de ética, de comportamento e de padrões de desempenho que têm sido desenvolvidos nas organizações.
Eu penso que as organizações, nas suas atividades normais deverão procurar ser excelentes, permitindo cumprir a sua missão, a qual só fará sentido e terá sucesso no mercado, se necessidades humanas e sociais forem satisfeitas. Assim, não me parece lógico que se apele à responsabilidade social das organizações como um extra na sua atividade, quando elas falham no essencial, que será satisfazer as necessidades e desejos dos seus stakeholders. Tudo o que faça a mais será bem-vindo societalmente, mas não é aceitável que se faça filantropia ou se invista em atividades sociais, para além da missão da organização, quando não se cumpre cabalmente as responsabilidades em relação aos stakeholders.
Uma questão fundamental será saber se a finalidade básica de uma organização se resume à produção e/ou distribuição de bens, serviços e ideias, garantindo valor para os sócios/acionistas, ou se deverá ser responsável para com a sociedade como um todo. Considero que esta responsabilidade deve ser vista de forma alargada, e é aqui que entra o conceito de “pegada social”. Uma organização deve satisfazer, em primeiro lugar, os seus stakeholders (sócios/acionistas, gestores, colaboradores, clientes/utentes/consumidores, fornecedores, distribuidores, Estado, comunidade, …), logo a sua pegada social pode ser medida pelo impacto que tem nestes grupos socioeconómicos.
Criámos um modelo denominado Core Organizational Stakeholder Impact (COSI), o qual deixa de fora as questões ambientais e ecológicas. No entanto, importa ter respeito pelos recursos e pelo ambiente, pois também são exigência da comunidade em geral, um dos stakeholders das organizações. Através deste modelo de medição poderemos efetuar análises e classificações de qualquer organização. Se avaliarmos ao longo do tempo os resultados com a medida COSI, obteremos a tendência COSI, que nos dá a evolução dos indicadores individualmente considerados ou agrupados em stakeholders internos e externos. Este modelo de avaliação da pegada social baseia-se num conjunto de indicadores claros e simples, permitindo classificar as organizações pela sua contribuição para a riqueza e o bem-estar da sociedade em geral e por stakeholder.
João Manuel da Silva Carvalho, Professor universitário no Instituto Superior da Maia e Investigador da UNICES – Unidade de Investigação em Ciências Empresariais e Sustentabilidade

