“No quadro anual descrever as expectativas para o segundo semestre deste ano no mercado publicitário, assemelha-se a olhar para uma bola de cristal sem ter poderes de adivinho. Aquilo a que se assiste actualmente é um misto de adiamento de decisões com uma pressão ainda maior nos preços. Eu diria que o problema maior com que esta área de actividade se defronta é uma destruição de valor em todo o sector.
A crise económica colocou toda a pressão na questão do preço, subalternizando a eficácia. Esta tendência vai ter consequências nefastas a médio prazo e vai prolongar a retracção do mercado quando algumas marcas constatarem que não alcançam os resultados pretendidos apesar de terem feito aquilo que acham serem grandes negociações na compra de espaço. A situação tem traços semelhantes com a política de austeridade. Retirar dinheiro do circuito deteriora a qualidade dos produtos.
Da mesma forma que a colecta fiscal é menor a nível do Estado quando se aperta a bolsa, no mercado a comunicação é pior quando o contacto com os consumidores se deteriora porque os conteúdos, suportados pelo investimento publicitário, se começam a ressentir da redução dos preços.
O maior desafio que se coloca às agências de meios é serem capazes de mostrar o valor da sua capacidade técnica e garantir os melhores pontos de contacto e o melhor retorno aos investimento dos anunciantes”.
Manuel Falcão
Fonte: Briefing

