Em entrevista ao Briefing, o administrador Rui Braga aponta as razões do sucesso:
Briefing | Inovar no mercado de eventos é, por assim dizer, a assinatura da Live It Well. De que forma é concretizada?
Rui Braga | Inovar é para nós mais do que um caminho a percorrer, é a nossa missão. É um compromisso e um posicionamento que está enraizado na cultura empresarial da Live It Well, presente em todo o processo de definição de estratégias e também nas decisões que tomamos no dia a dia.
Num mercado competitivo onde já quase tudo é possível, apenas conseguimos ser reconhecidos e diferenciarmo-nos se aliarmos inovação à nossa veia empreendedora. A palavra “inovação” é concretizada nos conceitos que criamos e é por essa razão que escolhemos apostar apenas em eventos e projetos com capacidade de se diferenciarem de tudo o que já se faz em Portugal.
A área em que desenvolvemos o nosso core business tem uma particularidade interessante: existe uma noção geral de que organizar eventos é senso comum, que é uma tarefa fácil. Todas as pessoas acham que sabem organizar eventos, mas não é bem assim. O que na teoria pode parecer relativamente fácil, depois na prática muitas vezes não resulta e só um profissional experiente tem esse know how. Na Live it Well temos a vantagem de ter uma equipa bastante criativa, o que faz toda a diferença porque organizar eventos é resolver problemas. Não temos medo de arriscar nem de tomar decisões e temos uma atenção ao pormenor, não só para que os eventos corram bem mas para que consigamos marcar a diferença.
Neste momento o que define a Live it Well Events é uma mentalidade empreendedora e virada para explorar oportunidades de mercado. Já somos mais do que uma empresa de eventos e o Live Beach é a maior prova disso.
Briefing | A empresa saltou para a ribalta com o Live Beach. Trata-se de um projeto pioneiro em Portugal e na Europa. O que lhe está subjacente?
RB | O Live Beach não é apenas uma praia, é um evento, é uma marca e o espelho do nosso posicionamento de inovação total. Representou um investimento inicial superior a dois milhões de euros e temos a vantagem de ter um conceito registado que pode e deve ser replicado noutros locais e inclusivamente exportado para o estrangeiro. Conseguimos criar uma marca 100% portuguesa, uma marca nossa, que veio transformar uma cidade do interior numa verdadeira cidade de Verão.
Está subjacente a criação de uma experiência de praia verdadeiramente fiel para todos os nossos visitantes, oferecendo um ambiente familiar e seguro com uma oferta complementar em termos de animação: música, festas, divertimentos, programas culturais, atividades desportivas, exposições, mostras gastronómicas… há de tudo um pouco e para todos os gostos. O Live Beach apresenta uma proposta de férias de verão descontraídas a um preço muito acessível, quase low cost.
Briefing | Que balanço faz da primeira época do projeto?
RB | A meta para o lançamento do projeto foi alcançada com êxito, pois conseguimos levar a praia para um sítio onde esta não existia. O Live Beach, nesta primeira fase, foi uma grande alavanca para atrair mais pessoas e turistas a Mangualde, conseguindo levar mais de 300 mil pessoas ao concelho. Para os mangualdenses, viseenses e toda a população do distrito, criámos uma infraestrutura por si só inovadora, que lhes possibilitou pisar a areia e desfrutar de um verão completamente diferente. De notar ainda que 50 por cento das pessoas que visitaram o Live Beach em 2011 vinham de fora do distrito de Viseu, o que nos leva a crer que somos um evento com impacto à escala nacional e, por outro lado, que existe ainda uma enorme margem de crescimento na região.
Ficámos muito satisfeitos com o feedback recebido pois registámos altos índices de satisfação do cliente e cumprimos um objetivo de marketing muito importante: passámos a experiência de praia a todas as pessoas que passaram pelo recinto.
Outra questão muito importante para nós foi o facto de termos conseguido estar muito perto do nosso target, o que nos permitiu retirar key learnings que foram determinantes para o planeamento e preparação do verão de 2012.
Através das boas relações que conseguimos criar com todos os stakeholders continuamos a trabalhar numa ótica de parceria na região.
Briefing | Em termos de rentabilidade para a empresa foi uma aposta ganha? E no que toca ao retorno económico para a própria região?
RB | Termos levado este desafio a bom porto já é sempre uma aposta ganha! Em termos de rentabilidade, faturamos cerca de 700 mil euros em três meses num ano de crise e sem verão… é certamente mais uma grande vitória. Relembro que este é um projeto, no mínimo a seis anos, e as expectativas são de crescimento, sendo que o break even está previsto para o quarto ano de operação.
Antes de avançar com o projeto realizámos um estudo de viabilidade económica, sendo que o retorno para a região foi avaliado em 13 milhões de euros e o impacto económico foi, de facto, muito positivo. Todos os empresários registaram um aumento de faturação face ao ano anterior, esgotámos várias vezes a capacidade hoteleira de Mangualde, trouxemos mais de 150 mil visitantes no verão e conferimos uma exposição mediática à cidade nunca antes vista. Colocámos Mangualde no mapa e a região saiu a ganhar.
Briefing | Quais são as perspetivas para 2012? A crise poderá de alguma forma afetar os resultados?
RB | Essa é sempre uma preocupação presente. A nossa estratégia para 2012 é sobretudo de consolidação, como tal não vamos fazer grandes investimentos novos. O conceito Live Beach tem funcionado muito bem tendo em conta a atual conjuntura económica, pois temos conseguido oferecer férias de verão a um custo competitivo, face a outras alternativas litorais.
Briefing | O Live Beach vai ser patrocinado. Que critérios guiaram o processo de seleção do(s) parceiro(s)?
RB | Procuramos associar-nos a marcas de prestígio a nível nacional, geralmente no setor do grande consumo, uma vez que temos a vantagem de possibilitar a venda dos seus produtos no recinto. Este aspeto confere um retorno imediato aos nossos patrocinadores, tornando o Live Beach um investimento atrativo para as marcas e sem paralelo a nível nacional, uma vez que temos uma operação alargada a nível temporal, durante o verão inteiro.
Mas mais do que um patrocínio financeiro, encaramos as marcas que estão connosco como parceiros e procuramos desenvolver iniciativas em conjunto como promoções cruzadas, ativação no recinto, entre outras ações pensadas pelo nosso departamento de marketing e os responsáveis das marcas.
O ano passado desenvolvemos uma boa relação com a Olá, Lipton e Sagres e tivemos ainda o apoio da Meo. Este ano vamos contar novamente com o apoio de três grandes grupos com marcas fortes, as quais revelaremos em breve.
Briefing | Havia a intenção de internacionalização. Mantém-se ou foi adiada?
RB | No ano passado posicionámos Mangualde no mapa nacional e as notícias tiveram eco lá fora. Temos sido abordados por variadíssimas entidades com propostas para implementação no estrangeiro e julgamos ter perspetivas sólidas para Madrid e para o Brasil, mas em breve avançaremos pormenores mais concretos. O Live Beach apresenta todas as condições para ser um sucesso à escala mundial e a internacionalização do conceito faz parte das nossas ambições.
Briefing | Que outros projetos têm em mãos?
RB | Para já o que posso dizer é que continuamos a trabalhar com uma equipa motivada e completamente focada no Live Beach. Regemo-nos por uma estratégia de expansão forte que nos tem levado a pensar em new business, sempre em linha com o nosso posicionamento de inovação total. Esperamos poder anunciar um novo projeto ainda este ano.
Fonte: Briefing

