Para o advogado este é um dos exemplos do que classifica como “custos de contexto” e cuja resolução, apesar de, em muitos casos, não custar dinheiro, o País teima em adiar. Aqueles custos estão sobretudos relacionados com a fiscalidade e o funcionamento dos tribunais.
Lobo Xavier chamou a atenção para o facto de cerca de 10 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) estar em conflito nos tribunais fiscais desde 2004. “Como é que, com esta situação, se pode falar na eficácia das cobranças”, questionou. O gestor pretende do Estado “leis mais claras, uma relação leal, rápida e eficaz com as empresas”.
Intitulado “Um rumo com futuro para a economia nacional”, o primeiro painel contou com a presença do professor e economista Daniel Bessa, de Rui Leão Martinho, bastonários da Ordem dos Economistas, e Artur Santos Silva, chairman do BPI.
Progredir na “intensidade tecnológica” e apostar na “capacidade de serviços que Portugal tem” foram algumas das pistas dadas por Daniel Bessa para o futuro do País. Rui Leão Martinho afirmou que a crise é uma oportunidade de reconstrução e defendeu uma “cultura de produtividade e partilha de risco”.
Resistir para depois ajustar e vencer, foi a “receita” de Artur Santos Silva para o futuro de Portugal. Depois de dar vários exemplos do caminho positivo que o País percorreu nos últimos 30 anos, afirmou que na última década se viveu acima das possibilidades. Por isso, é urgente que os portugueses vivam de acordo com os seus rendimentos, exige-se uma reforma da administração central do Estado, uma melhor administração autárquica e uma aposta no empreendedorismo e inovação.
O banqueiro defendeu que Portugal deve recuperar credibilidade externa e “manter o bom senso e a serenidade” para depois renegociar o programa de assistência.
Hermínio Santos
Fonte: Briefing

