Joel Postman: “Os media sociais estão em ascensão em Portugal”

jpostmanJoel Postman, um dos mais reconhecidos especialistas internacionais em comunicação global e utilização de redes sociais, é o keynote speaker do seminário que a APAN promove no próximo dia 21 de Novembro.

Autor do livro “SocialCorp: Social Media Goes Corporate”, já considerado o “must-read social media book” pela revista ComputerWorld, Postman vai estar em Portugal para explorar o tema dos media sociais, como uma tendência ascendente na comunicação comercial em todo o mundo. Ao mesmo tempo, irá também analisar os resultados demonstrados pelo estudo português, uma realidade que tem vindo a conhecer melhor nos últimos tempos.

Numa primeira abordagem, Postman antecipa-nos alguns dos seus pontos de vista sobre o impacto que as redes sociais e o meio digital têm vindo a exercer na comunicação corporativa das marcas, de acordo com a sua intervenção no seminário, intitulada: “Brand: redefined – Social Media and the Changing Role of the Brand”.

A entrada no seminário é feita mediante inscrição, através do endereço apan@apan.pt, tendo o valor de 25 euros para associados da APAN e 35 euros para não associados.

Acredita que estamos a atravessar uma revolução ou a assistir a uma evolução no que diz respeito à forma como as pessoas consomem e interagem com os media nos dias de hoje?

Nos últimos cinco anos tem-se registado uma verdadeira revolução na forma como as pessoas interagem com os media. A mudança mais profunda é que as pessoas estão a criar os seus próprios meios. Cada actualização do estado no Facebook, cada tweet, cada post no blogue, ou cada comentário numa crítica de cinema ou de um restaurante é um exemplo concreto de meios que são criados pelas pessoas/utilizadores.

O ponto central no que respeita à confiança na informação também mudou. As pessoas já não consideram o site de uma empresa ou um comunicado de imprensa como as fontes mais autorizadas ou fidedignas. Em vez disso, as pessoas olham para os seus amigos ou outras pessoas com interesses e com um background semelhantes. O indivíduo adquiriu um poder sem precedentes para influenciar outros consumidores.

Na sua opinião como é que as marcas estão a responder a esta “revolução dos media sociais”? Como é que o papel das marcas está a evoluir?

Há algumas percepções de que as empresas estão “a perder o controlo” das suas marcas, mas o que realmente está a acontecer é que a própria ideia de marca está em expansão. Eu defino “marca” como “todas as nossas experiências com os produtos de uma empresa, serviços, funcionários e clientes, e a forma como eles moldam as nossas percepções da empresa.” E os media sociais são uma grande parte disto. Os consumidores estão a falar sobre marcas, de forma positiva e negativa nas redes sociais, e essas conversas tornam-se parte da definição mais ampla de marca, pelo que as empresas devem compreender o meio, de forma a conseguir geri-lo de forma vantajosa.

Acha que os media sociais são os media certos ou mais indicados para as marcas se tornarem corporativas?

Os media sociais têm uma grande variedade de aplicações úteis em marketing corporativo e de comunicação. As empresas não devem cometer o erro de perguntar: “Qual é a nossa estratégia para as redes sociais?” A chave é pensar a estratégia de negócio primeiro. Indiscutivelmente, não há nada que se chame de “estratégia de media sociais”. Os media sociais são uma ferramenta. E é inteiramente possível que, após uma análise cuidadosa, os media sociais possam não ser uma boa alternativa para alcançar determinados objectivos.

Quais são as suas expectativas para o seminário da APAN? O que conhece da realidade portuguesa?

No início deste ano dei algumas aulas sobre media sociais na Universidade Católica, em Lisboa, e muitos dos estudantes estavam a trabalhar na área de marketing online e das redes sociais. Há alguns anos atrás, não teria havido ninguém na sala que tivesse trabalhado em media sociais. Este é um sinal que os media sociais e digitais estão em ascensão em Portugal.

Uma das coisas mais interessantes que aprendi com a minha pesquisa para esta apresentação é que Portugal está num lugar diferente daquele em que estão os EUA. Não mais à frente, nem atrás. Apenas diferente.

De uma forma geral, o acesso à Internet está a aumentar rapidamente em Portugal, tal como o acesso via telemóvel. Estas tecnologias compõem a plataforma dos media e das redes sociais , e assim como estes meios crescem, assim será também em Portugal a adopção dos media sociais. Portugal está a começar a dar origem a start-ups Web 2.0, como o Adegga, tuaZona e mashmush, que desenvolvem propriedade intelectual única ao nível dos media sociais e digitais. Portugal está a acompanhar o crescimento dos EUA, mas tem a vantagem de ver o que funcionou e o que não funcionou noutros países, antes de adoptar um determinado sistema em larga escala aqui.. As coisas estão apenas a começar, e há momentos emocionantes pela frente. 

Quarta-feira, 16 Novembro 2011 12:28


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