“O maior desafio vai ser saber filtrar”

Num mundo em aceleração, o Marketing tem de saber onde parar. Relevância, tecnologia e humanização estão no centro do desafio, segundo a diretora de Marketing, Comunicação & Experiência do Cliente da Caetano | Toyota, Lexus, Caetano Colisão & GlassBack, Maria João Pires.

“O maior desafio vai ser saber filtrar”

O Marketing está a acelerar a um ritmo sem precedentes. Qual é a principal força que está a transformar a forma de comunicar e de se relacionar com os consumidores?

Acho que é a necessidade de criar relações mais relevantes. Hoje, as pessoas estão expostas a tanta comunicação que já não basta estar presente ou falar mais alto. É preciso ter alguma coisa para dizer e, sobretudo, saber para quem estamos a dizer.

O Marketing está cada vez mais próximo da capacidade de perceber as pessoas: o que procuram, o que valorizam, o que lhes interessa e até aquilo que ainda não sabem que precisam.

E há uma parte que considero fundamental: essa relação tem de funcionar para os dois lados. Temos de falar de temas que sejam relevantes para o consumidor, mas que também sejam relevantes para o negócio. É nessa intersecção que está o verdadeiro papel do Marketing.brand

Com consumidores mais exigentes e informados, o que é que as marcas precisam de fazer de diferente para continuarem a ser relevantes e conquistarem atenção?

Temos de estar muito mais atentos às necessidades das pessoas. E, muitas vezes, ir um bocadinho mais além daquilo que elas nos estão a pedir. Uma marca também tem de conseguir mostrar coisas que o consumidor ainda não sabia que eram possíveis. Surpreender, mas com relevância.

E acredito que, numa era em que a Inteligência Artificial (IA) está cada vez mais presente, a humanização vai ganhar ainda mais importância. Queremos continuar a ver pessoas reais, a falar com pessoas reais. Porque a tecnologia pode ajudar-nos a chegar mais longe, mas a relação continua a ser entre pessoas.

A tecnologia e a IA estão a acelerar processos e a mudar a forma de criar. Para a vossa marca, onde está o equilíbrio entre tecnologia, criatividade e autenticidade?

O equilíbrio é quase uma utopia. Estamos sempre a tentar encontrá-lo.

A tecnologia e a IA permitem-nos fazer coisas que, há pouco tempo, demoravam muito mais tempo ou simplesmente não eram possíveis. E isso é fantástico. Mas não podemos deixar que a tecnologia nos faça esquecer para quem estamos a comunicar.

Sendo que queremos avançar, experimentar e aproveitar tudo o que estas ferramentas nos podem dar, mas sem nunca nos esquecermos das pessoas. Porque, no final do dia, é com pessoas que estamos a falar.

Perspetivando os próximos anos, qual será o maior desafio para o Marketing e a Comunicação? Acompanhar a velocidade da mudança ou saber escolher aquilo que realmente merece a atenção das marcas e dos consumidores?

Acho que o maior desafio vai ser saber filtrar. Temos cada vez mais informação, mais ferramentas, mais tendências, mais canais e agora cada vez mais sugestões produzidas por máquinas. O desafio vai estar em perceber o que realmente faz sentido e o que é apenas ruído.

Vamos ter de saber distinguir aquilo que podemos fazer daquilo que devemos fazer. E escolher onde vale a pena “atacar”, em vez de querer estar em todo o lado ao mesmo tempo.

No fundo, acho que o futuro vai exigir tanto capacidade para acompanhar a mudança, como capacidade para saber dizer: isto é interessante, mas não é para nós.

Sexta-feira, 09 Outubro 2026 09:50


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