Rebeca Caldeira Influencia com criatividade e responsabilidade

Entre situações banais, humor e vida familiar, Rebeca Caldeira construiu uma presença digital assente na autenticidade e que lhe permitiu dizer adeus ao “trabalho normal” sem abdicar dos seus valores. Hoje, encara a criação de conteúdos como um exercício de criatividade e responsabilidade, procurando manter do outro lado do ecrã a mesma Rebeca que existe fora dele.

Rebeca Caldeira Influencia com criatividade e responsabilidade

A característica que melhor define a sua forma de comunicar

Tento comunicar de uma forma muito natural e orgânica. Aquilo que as pessoas ouvem sou mesmo eu, não tenho propriamente uma “personagem” para as redes sociais. Claro que há coisas que escolho partilhar e outras que ficam na minha vida privada, mas aquilo que partilho é genuíno e a forma como falo também. Acho que isso cria proximidade, porque quem me acompanha sente que está a ouvir uma pessoa e não uma versão demasiado pensada ou polida para funcionar nas redes. E, para mim, isso é essencial: quero que alguém que me conhece através do Instagram sinta que sou exatamente a mesma pessoa depois de me conhecer pessoalmente.

Em que momento percebeu que o digital podia tornar-se a sua profissão?

Na verdade, quando comecei a criar conteúdo de forma consistente, já o fiz com o objetivo de um dia conseguir dedicar-me a isto a 100 %. O que nunca imaginei foi que acontecesse tão depressa.

Acho que percebi que podia realmente tornar-se a minha profissão quando comecei a receber propostas de marcas com as quais me identificava, e, sobretudo, quando percebi que conseguia ser financeiramente independente apenas através do digital. Sempre foi muito importante para mim ter a minha própria fonte de rendimento. Sair de um trabalho corporativo para uma “aventura” sem qualquer garantia financeira nunca seria uma opção para mim, ainda por cima tendo dois filhos, o que naturalmente me torna mais cautelosa. Só dei esse passo quando senti que aquilo que tinha começado como um projeto já era, efetivamente, um trabalho sustentável.

O projeto ou momento mais marcante do seu percurso até agora

Diria que o “Beca Beca” foi um dos projetos que mais me marcou. Foi uma ideia muito minha, que me permitiu experimentar um formato diferente, ter conversas que gostei mesmo de ter e mostrar também outro lado meu. É definitivamente um projeto ao qual quero dar continuidade e que terá mais temporadas.

E depois tenho de falar da rubrica “MENINOS”, na RFM. Está neste momento em standby, mas adorei fazer rádio. É um meio completamente diferente das redes sociais e descobri que gosto muito daquela espontaneidade e rapidez. Quero mesmo voltar!

O que nunca sacrificaria por mais alcance nas redes sociais?

Os meus valores e a minha vida “real”. Há uma diferença entre partilhar a nossa vida e viver a nossa vida em função daquilo que vai resultar nas redes sociais, e tento nunca atravessar essa linha.

Nem tudo tem de ser conteúdo e nem todas as oportunidades têm de ser aceites. Já disse que não a coisas que provavelmente me dariam alcance ou dinheiro porque simplesmente não faziam sentido para mim. No final do dia, as redes sociais são uma parte muito importante da minha vida, mas não podem passar à frente da pessoa que sou, da minha família ou daquilo em que acredito.

Story ou post?

Uiii… São tão diferentes! Uso muito os dois, mas de formas diferentes. Tento publicar todos os dias, sobretudo reels, enquanto há dias em que praticamente não faço stories. Por isso, se tivesse mesmo de escolher, diria post.

Mas adoro stories precisamente porque são menos trabalhadas. Sinto que é onde consigo estar mais próxima de quem me segue, partilhar pequenas coisas do dia a dia, falar sem pensar demasiado e ter uma relação muito mais direta com a minha audiência.

Como se transforma uma situação banal num conteúdo que milhares de pessoas querem ver?

Além de criar muito conteúdo, também consumo muito conteúdo. Gosto de tudo: humor, situações do dia a dia, pessoas com quem me identifico, pessoas que me inspiram. No fundo, procuro entretenimento nas redes sociais e tento perceber aquilo que também me entretém a mim.

Com o tempo, comecei a olhar para o meu próprio dia a dia de outra forma. Não precisamos de ter uma vida extraordinariamente interessante para criar conteúdo interessante. Muitas vezes é precisamente o contrário. São as situações mais banais, aquelas pelas quais toda a gente passa, que funcionam melhor, porque as pessoas se reveem nelas.

E acho que isto se treina. Quando fazemos conteúdo todos os dias, desenvolvemos uma espécie de “músculo” e começamos a reconhecer uma conversa, uma reação dos nossos filhos, uma situação caricata ou até uma coisa que correu mal e pensamos imediatamente que pode ser conteúdo. Hoje, vejo conteúdo nas coisas mais pequenas. Algumas resultam, outras não têm piada nenhuma quando passam para o ecrã, e faz parte. Também é isso que torna este trabalho interessante.

Criar conteúdos é…

Responsabilidade e criatividade.

Criatividade porque estamos constantemente a tentar encontrar novas formas de contar histórias, entreter ou pegar numa coisa banal e torná-la interessante.

E responsabilidade porque, quando milhares de pessoas escolhem ouvir aquilo que temos para dizer, isso tem peso. Não significa que tenhamos de deixar de ser espontâneos ou ter medo de dar uma opinião. Para mim, criar conteúdo é conseguir equilibrar essas duas coisas: ter liberdade para ser eu própria e responsabilidade suficiente para perceber o impacto que isso pode ter. E saber que nem sempre do outro lado vou ter uma audiência com a mesma opinião! Faz parte.

Segunda-feira, 19 Outubro 2026 12:29


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