Híbrido reabre em Montemor-o-Novo no dia do seu sexto aniversário

No próximo dia 26 de outubro, o Híbrido regressa às origens. Ao celebrar o seu sexto aniversário, o restaurante inicia uma nova etapa em Montemor-o-Novo, cidade natal do chef João Narigueta, depois de cinco anos de percurso em Évora. Este regresso representa mais do que uma mudança de morada: é uma aproximação às raízes do projeto e ao território que inspira a sua identidade gastronómica, mantendo a essência da cozinha que o distingue e reforçando a ligação à região onde o chef e o seu sócio, Miguel Dominguinhos, desenvolvem também o projeto Poda. Ambos os restaurantes partilham uma visão gastronómica assente na valorização dos produtos locais, da sazonalidade e da identidade alentejana, explorando diferentes formas de interpretar a cozinha contemporânea a partir do território.

Uma nova casa, com história

Situado no centro histórico de Montemor-o-Novo, a cerca de 200 metros do Castelo, o novo Híbrido ocupa um edifício ligado à história da produção de licores da região, associado à Destilaria Montemorense e à tradição do Licor de Poejo, um dos produtos emblemáticos da identidade local.

A escolha deste espaço traduz a vontade de aprofundar a relação do restaurante com a história, a cultura e os sabores da região. Num território de forte identidade gastronómica, a nova localização oferece o cenário ideal para continuar a desenvolver uma cozinha atenta à origem dos ingredientes, à sazonalidade e à proximidade com os produtores.

A mesma essência, uma nova etapa

Fundado inicialmente pelo chef João Narigueta e por Filipe Rebocho, o projecto a quem se juntou um ano após a saída de Filipe Rebocho, Miguel Dominguinhos, o Híbrido mantém na nova morada a filosofia gastronómica e o rigor que têm orientado o projeto desde o início. O espaço foi concebido para proporcionar uma experiência mais intimista aos clientes e, simultaneamente, criar as condições para que o chef e a sua equipa continuem a explorar e aperfeiçoar a sua abordagem à cozinha.

“A reabertura do Híbrido marca o início de um novo capítulo no coração de Montemor-o-Novo, numa casa com história. Este regresso permite-nos consolidar o projeto, reforçar a ligação aos produtores locais e continuar a desenvolver uma cozinha contemporânea, profundamente enraizada no território” comenta Miguel Dominguinhos.

Com apenas 18 lugares e aberto exclusivamente ao jantar, o restaurante privilegia uma experiência à mesa centrada na qualidade do produto, na criatividade e na atenção ao detalhe.

A proposta gastronómica inclui opções à carta e dois menus de degustação: o Híbrido, com nove momentos (110 Eur), e o História, com cinco momentos (70 Eur). O primeiro cruza criatividade, território e proximidade com os produtores, reunindo pratos emblemáticos e novas criações. Já o menu História revisita o receituário tradicional português, reinterpretando receitas históricas a partir de produtos locais e biológicos.

“No Híbrido, procuramos cruzar o respeito pela herança histórica Portuguesa, em cada prato, seja através do resgate do receituário ancestral ou de técnicas contemporâneas aliadas a produtos que caíram no esquecimento. É uma homenagem ao nosso território, aos produtores locais e à sustentabilidade, oferecendo a quem nos visita uma verdadeira viagem de partilha e memória“ acrescenta o chef João Narigueta.

Uma cozinha entre a memória e a criatividade

A nova carta reflete a abordagem do Híbrido à gastronomia alentejana, cruzando referências tradicionais com técnicas contemporâneas e combinações inesperadas.

Entre as entradas, destaca-se o Lagostim de rio, servido com açorda de lagostim, espuma de spirulina e poejo e sriracha. O prato evoca os recursos dos rios alentejanos e a importância do equilíbrio ambiental, combinando o conforto da açorda com a frescura das notas herbais e um toque picante.

Outra das propostas são os Cogumelos silvestres com cevada, miso, coentros, ketchup de cogumelos e batata negra ralada, uma criação inspirada nas antigas papas de cevada que alimentavam as comunidades alentejanas. A rusticidade dos cogumelos e da cevada encontra a profundidade do miso e as notas terrosas dos restantes elementos, numa composição que evoca a relação histórica entre a cozinha e a terra.

Nos pratos principais, o Porco Alentejano com crumble de miso de pimento, velouté de bivalves e alho-francês revisita o clássico encontro entre carne de porco e marisco. A intensidade do porco alentejano é equilibrada pela delicadeza do velouté de bivalves, enquanto o crumble de miso de pimento e o alho-francês acrescentam novas camadas de sabor e textura.

A ligação ao território como ponto de partida

A proximidade com os produtores, o conhecimento da origem dos produtos e a valorização dos ingredientes sazonais continuam a ser pilares da identidade do Híbrido. Mais do que privilegiar matérias-primas de qualidade, esta abordagem procura estabelecer relações próximas com quem as produz, valorizando o saber local e respeitando a natureza de cada ingrediente.

Seis anos depois do início do projeto, o Híbrido regressa a Montemor-o-Novo para aprofundar a ligação entre cozinha, produto e território. Uma nova casa, mas a mesma vontade de evoluir, preservar a identidade gastronómica portuguesa e descobrir novas formas de a interpretar à mesa.

A presença do Híbrido e do Poda em Montemor-o-Novo reflete uma visão comum sobre a gastronomia enquanto expressão do território, da sazonalidade e da relação com os produtores locais, contribuindo para dar visibilidade à riqueza dos produtos e da identidade culinária alentejana.

Segunda-feira, 19 Outubro 2026 12:32


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