Tal como descreve José Guerreiro na própria obra, este “não é pois um
livro ‘de histórias’ ou de conceitos, mas tão-somente um livro ‘da
história’,
ou melhor ‘um pouco da história’”. O Briefing lançou algumas
questões ao autor, que, para além dos objectivos da sua obra, fala um
pouco da publicidade no mercado angolano actualmente.
Briefing: O que é que motivou a criação deste livro?
José Guerreiro: A motivação principal para escrever este livro, foi a
consciência do dever de colocar à disposição dos jovens estudantes
universitários e dos profissionais de comunicação mais recentes, alguma
experiência por mim acumulada ao longo dos anos e as mais-valias que
fui tendo com as funções que fui desempenhando, depois de constatar que
existia um grande défice no nosso País relativamente ao conhecimento do
passado e das origens do mercado publicitário em Angola (mesmo no
período colonial), a história da nossa publicidade, as normas e
metodologias, a legislação, o formato do mercado, os principais
“players”, etc.
Briefing: De que forma olha para a publicidade em Angola actualmente?
JG: Naturalmente que o desenvolvimento da publicidade em Angola não
pode deixar de acompanhar as tendências que se verificam de
desenvolvimento de muitos sectores da economia do nosso País, mesmo no
quadro da crise internacional que se verificou. Sectores como os
serviços financeiros (banca e seguros), a construção e imobiliária, as
telecomunicações e as bebidas (alcoólicas e não alcoólicas), para citar
os principais, têm sido os principais investidores publicitários no
nosso Pais, face ao crescimento económico dos mesmos.
Isto não significa que não se verifiquem alguns constrangimentos, como
seja alguma legislação que necessita de adequação à nova fase, a
questão da auto-regulação, a necessidade de reforço de princípios
éticos e deontológicos, nomeadamente quanto à intervenção de Agências
de Publicidade não sedeadas no nosso País, etc.
Briefing: Está em crescimento? Em quantidade? Em qualidade? Existe já um grande número de anunciantes?
JG: Como decorre do que referi anteriormente, existe de facto um
crescimento em quantidade e qualidade da publicidade feita e/ou
veiculada em Angola. Há um aumento de Agências e Produtoras a trabalhar (incluindo
investimento estrangeiro), uma maior diversificação de meios
(nomeadamente televisões, jornais e revistas), bem como cada vez um
maior número de anunciantes. O facto de se verificar um maior
crescimento económico de outras Províncias, também concorre, embora
ainda de forma limitada, para este aumento. Sobre a qualidade da publicidade é de registar que várias Agências
nossas têm sido premiadas noutros Países, o que demonstra que estamos a
fazer, na generalidade, um trabalho muito sério e profissional.
Briefing: Até ao momento, que feedback tem tido do livro?
JG: Teve uma boa aceitação, nomeadamente pelo público alvo que referi,
mas também pela opinião pública no geral, até pelo seu carácter
pioneiro, como referiu o escritor João Melo no Prefácio, o que desde
logo evidencia a necessidade de outras contribuições, em livros ou
revistas, neste domínio específico. Eu fiz o meu papel, pequeno que seja, deu-me muito prazer colocar esta
obra no mercado, mas conclui também que ainda há muita coisa a
investigar nesta área de conhecimento e da economia, quer no passado,
quer na reflexão sobre o futuro, pelo que nada está acabado e é
definitivo.
AB
Fonte: Briefing

