Briefing | Como surgiu a Epicurspicy?
Carlos Freire | A Epicurspicy iniciou a sua atividade em julho de 2012. Mas, desde janeiro de 2009 que começámos a trabalhar no conceito e no desenvolvimento dos produtos, até ser lançada definitivamente no mercado. Existe, no entanto, uma longa história a preceder este desfecho, em que temos de voltar ao ano de 1986, nos EUA, quando conheci a Laura Baker. Passei esse ano como estudante de intercâmbio com uma família do Kansas (EUA), onde conheci a Laura. A parte engraçada é, que 22 anos mais tarde, a Laura apaixonou-se pelo meu irmão, João, mudou-se para Portugal e casaram-se por cá. Poucos meses depois, juntou-se a minha mulher, Sofia, àquele que seria o grupo que iria gerar a Epicurspicy. Pode dizer-se que a Epicurspicy nasceu de uma frustração de nós os quatro.
Como uma recém-chegada a Portugal, Laura adorou os novos alimentos e sabores, mas tinha saudades de algumas bebidas, da forma como eram preparadas na sua “terra”, especialmente Tex-Mex e Margaritas, que são difíceis de encontrar em Portugal. Começámos a falar, em tom de brincadeira, sobre a criação das nossas próprias Margaritas até́ que decidimos concretizar as nossas ideias. Apercebendo-nos que tínhamos evidentes limitações para preparar os diversos cocktails que desejávamos, resolvemos procurar uma solução prática que nos permitisse preparar fácil e rapidamente os nossos cocktails preferidos mas, muito importante, que fossem deliciosos. Assim, com o objetivo de aliar a inovação à simplicidade, permitindo a qualquer pessoa preparar um bom cocktail, em 2012, nascia a Epicurspicy, a primeira marca portuguesa de cocktails granizados de preparação fácil. O primeiro sabor foi a Margarita e seguiram-se os restantes cinco (Mojito, Daiquiri de Morango, Caipirinha, Margarita de Morango e Caipiroska), todos com ingredientes naturais, sem corantes nem conservantes artificiais, numa embalagem prática onde apenas tem de se juntar água e a bebida alcoólica, agitar e colocar durante algumas horas no congelador.
Briefing | Já tinham experiência no mercado de bebidas espirituosas?
CF | Nós os quatro temos diferentes formações educacionais e experiências profissionais, mas todos concordávamos que queríamos um delicioso cocktail, num pacote elegante e prático, que pudesse ser preparado a qualquer momento e (quase) em qualquer lugar. A única experiência que tínhamos no mercado das bebidas espirituosas era como consumidores. Para mim, que tenho formação em engenharia química, este novo desafio de criação de cocktails foi perfeito. À capacidade técnica de engenharia somou-se a sensibilidade estética da Sofia, arquiteta, para desenvolver uma embalagem elegante e funcional e supervisionar o projeto da área de produção. A formação científica da Laura e o seu espírito empreendedor ajudaram a Epicurspicy a impulsionar-se a partir de uma ideia “e se?” para uma realidade concreta. E, por último, mas certamente não menos importante, o Ph.D. em Marketing do João foi a chave para o desenvolvimento da nossa marca e estratégia de negócio. Em junho de 2015, procedeu-se a uma alteração significativa na estrutura acionista da empresa com a aquisição das posições da Laura e do João por mim e pela Sofia.
Briefing | Que necessidade identificaram no mercado para a criação de cocktails granizados?
CF | Chegámos à conclusão de que não existiam com esta variedade, possibilidades e numa dose considerável, cocktails granizados fáceis de preparar e beber em qualquer lugar, sem ser necessária a perícia de um profissional ou a ida a um bar especializado. Daí termos criado as seis bebidas e em embalagens de dois litros: Caipirinha, Caipiroska, Daiquiri de Morango, Margarita, Margarita de Morango e Mojito prontos a servir, simples e rápidos de preparar, ideais para festas, jantares, piqueniques, no jardim, na praia, piscina, em casa ou em qualquer lugar.
Briefing | O que distingue o vosso produto no mercado?
CF | No mercado há várias marcas internacionais de bebidas alcoólicas que oferecem já as suas “ready-to-drink” (RTD) e pré-misturas concentradas. Este é um segmento crescente e todos querem estar presentes. Alguns exemplos são: Bacardi, Smirnoff, Pampero, Eristoff, Jose Cuervo, Cachaça 51 ou Malibu. Também estão disponíveis no mercado vários RTD cocktails granizados como a Diageo Parrot Bay, a Daily’s ou a Caipi One. A Epicurspicy é a única marca portuguesa e no mundo que dá para, pelo menos, dez doses e permite que seja o consumidor a escolher a marca da bebida alcoólica que vai utilizar na preparação do cocktail. Sendo um produto prático e de fácil preparação, permite, no entanto, que o consumidor dê um toque pessoal, podendo inclusive fazê-lo mais ou menos alcoólico ao seu gosto. Uma embalagem maior permite que o cocktail possa ser consumido tanto por um grupo de amigos como apenas a dois, pois o que não for consumido pode ser mantido no congelador até seis meses sem perda de qualidade. A portabilidade é outra característica interessante, porque pode ser transportado facilmente para consumo na praia, num churrasco ou em qualquer lugar. A aposta da Epicurspicy está na qualidade dos produtos, já que usamos apenas fruta desidratada e produtos naturais, o que lhe confere um sabor autêntico, permitindo assim que o nosso produto possa servir de base para a criação de outros cocktails ao sabor da imaginação do consumidor.
Briefing | Que financiamento exigiu a criação da marca?
CF | O investimento inicial no ano de arranque foi na ordem dos 20 mil euros, sendo que o total do investimento por parte dos sócios atingiu um total de 120 mil euros nos primeiros três anos.
Briefing | E que resultados de negócio tiveram até agora?
CF | Fechámos o ano de 2014 com um volume de vendas de 48 mil euros. Em 2015, esperamos fechar o ano com um volume de vendas acima dos 95 mil euros e para 2016 o nosso objetivo é atingirmos um volume de vendas na ordem dos 370 mil euros. O processo de internacionalização acompanhou a empresa logo desde início. Em 2014, o mercado externo representou 30% do volume de vendas. No entanto, de acordo com o nosso plano estratégico, pretendemos que, em 2017, as vendas nacionais representem apenas 10% da faturação.
Briefing | Qual a estratégia de marketing adotada pela Epicurspicy?
CF | Dando continuidade à nossa participação e aos contactos estabelecidos, em maio deste ano, na Hofex Hong Kong 2015, o maior certame da área alimentar e Horeca da Ásia, iremos participar no final de outubro de 2015 na MIF – Macau International Fair. O objetivo é entrar no mercado chinês através de Hong Kong e Macau. Para 2016, a aposta será entrar no mercado dos Estados Unidos. O processo de registo de marca junto do USPTO foi concluído no mês passado e temos um plano comercial para implementar na abordagem a este mercado. Para isso, temos já um parceiro identificado que nos irá apoiar na penetração no mercado norte-americano, que inicialmente passará por dois estados da costa leste dos Estados Unidos.
Briefing | E quanto à comunicação? Que investimento foi feito para divulgar a marca?
CF | Em 2015, a comunicação irá passar essencialmente por darmos a conhecer o produto ao público, através da presença em revistas, jornais, televisão e meios online. A presença nas redes sociais é outro meio fundamental na nossa comunicação. Neste momento, patrocinamos também alguns eventos que acontecem com uma regularidade mensal. O Break é um evento after-work que ocorre todas as penúltimas quintas-feiras de cada mês, a partir das 19 horas, no Hotel Florida (no centro de Lisboa) ou a Produtized Talks que se realiza todas as últimas sextas-feiras de cada mês no Lisbon Innovation Kluster (Linnk). Temos também previsto a realização de algumas sunset parties em roof tops de referência em Lisboa.
Briefing | A venda dos produtos é feita exclusivamente no online? Ou têm parcerias com hiper e supermercados?
CF | Para além da nossa loja online, os produtos estão à venda nos seguintes locais: El Corte Inglés, supermercados SuperCor, supermercados Liberty American Store (Lisboa), Makro, Intermarché (Altura, Monte Gordo, Vila Real de Santo António e Ansião), Supermercados Apolónia (Algarve) e Supermercado Tradicional (Estoril).

Fecharam 2014 com um volume de vendas de 48 mil euros. Em 2015, esperam valores acima dos 95 mil. Trata-se da Epicurspicy, a primeira marca portuguesa de cocktails granizados de preparação rápida. Carlos Freire, cofundador, explica que a ambição é aumentar a faturação nos mercados externos, de modo a que Portugal represente apenas 10%. China e Estados Unidos são as próximas paragens nesta internacionalização.