Ora, como o assunto já está mais que debatido, onde nem havia grande assunto para dissertar, dada a hegemonia de uma tal campanha com o Van Damme, pensei que poderia olhar para o futuro, algo que festivais de publicidade nāo costumam fazer, premiando apenas o ano imediatamente transacto. Cannes, nem mais, sabe disto e, no ano passado apresentou pela primeira vez a categoria “Innovation”. Continuando a tendência, este ano deu a conhecer a shortlist também desta categoria, semanas antes do festival. “Está no bom caminho”, pensei eu. Pensei portanto que poderia escrever sobre Cannes e o futuro da industria num mesmo texto.
Pensava eu que o meu exercício de futurologia iria obrigar-me a desenterrar fontes, pensamentos e outros textos que tenho por aqui espalhados no desktop. E foi entāo que a agência Hakuhodo subiu ao palco do Grande Auditório no primeiro dia do festival. Eis alguns pontos que sumarizam muito melhor qualquer coisa que eu pudesse escrever, apresentados no workshop: “Como serāo as agências de publicidade em 2024”:
– Os profissionais terāo habilidades hibridas, podendo desenhar um hospital, arquitectar um hotel ou inventar uma maneira de integrar sistemas de busca online com objectos a partir de voz no dia a dia. (Vimos aliás este projecto da Yahoo numa escolar para crianças invisuais poderem experimentar as formas de coisas que nunca poderāo sentir, como dinossauros. Ver projecto aqui).
– As agências venderāo projectos: filmes, livros, produtos desportivos, conteúdo que se baseia em dados e que almeja a personalizaçāo até à exaustāo das marcas e serviços. (Também já vimos esta tendência começar há um par de anos com a Nike Fuelband).
– “Life Design” ou a maneira de influenciar como as pessoas vivem será o derradeiro passo para uma agência que apresenta uma mais valia na parceria com os clients que trabalha. Um exemplo que a agência japonesa providenciou foi a dos campos de arroz em Inakadate, cuja populaçāo transformou em verdadeiras obras-primas. Ver projecto aqui.
10 anos parece algo longinquo. É e nāo é. Muitas destas coisas já vemos acontecer, esporaricamente. Mas como mudar grandes colossos mundiais, networks de media que ainda têm 80% de todo o budget? Aí parece que os 10 passam a 100. A nāo ser que quem tem o dinheiro possa ser desafiado a entrar neste jogo, mais criativo, e ser pioneiro. Mudar o mundo nunca esteve tāo perto. Nem que signifique esperar 10 anos.

Nas ultimas semanas vimos todas as agências, networks e até alguns dos maiores profissionais do mundo prever o que iria sair vencedor deste ano em Cannes.