A carta aberta nasce da constatação de que existe uma nova geração a reencontrar o fascínio por LP, CD e cassetes. No entanto, o aumento do custo de vida e o preço final destes suportes correm o risco de transformar o disco num objeto reservado apenas a quem tem maior poder de compra. Para a FNAC, a música em formato físico não deve ser um privilégio nem um luxo, mas sim uma forma consciente, pessoal e duradoura de viver e preservar a cultura.
“A cultura não é um luxo, é uma necessidade. Uma sociedade com mais cultura é uma sociedade mais criativa, mais informada, mais livre e mais capaz de pensar de forma crítica”, afirma a diretora de Marketing e Comunicação da FNAC Portugal. “A música que se ouve passa, enquanto a música que se tem fica. Ocupa um lugar em casa, na memória e na identidade de cada pessoa. Não escrevemos esta carta para discutir fiscalidade, mas sim para falar de acesso e de participação cultural. Queremos que mais jovens possam comprar o seu primeiro disco e que a criação artística continue ao alcance de todos”, esclarece Inês Condeço.
Como gesto simbólico, e para dar expressão prática a esta reflexão, a FNAC vai retirar o valor do IVA nos discos durante cinco dias, de 1 a 5 de outubro. A par deste manifesto, foi lançada uma Petição Pública aberta a todos os que queiram apoiar a democratização do acesso à música aqui.
Uma carta aberta sobre o valor da música e o acesso à cultura
No Dia Mundial da Música, a FNAC quer lançar uma conversa.
Uma conversa simples, mas importante.
Porque continua a ser tão difícil tornar a cultura mais acessível?
A música faz parte das nossas vidas. Acompanha-nos nas viagens, nas conquistas, nas perdas e nos momentos que recordamos para sempre.
Dá palco a novos artistas. Gera emprego. Inspira criatividade. Aproxima gerações. Ajuda-nos a compreender melhor quem somos.
E, ainda assim, continua sujeita à taxa máxima de IVA.
Não escrevemos esta carta para discutir fiscalidade.
Escrevemo-la para falar de acesso.
Porque acreditamos que a cultura não é um luxo. É uma necessidade.
Uma sociedade com mais cultura é uma sociedade mais criativa. Mais informada. Mais livre. Mais capaz de pensar de forma crítica e de imaginar o futuro.
E se acreditamos nisto para a cultura em geral, acreditamos também nisto para a música.
Porque um disco não é apenas uma forma de ouvir música.
É uma obra que podemos escolher, tocar, guardar e revisitar.
É uma capa que nos prende o olhar. Uma sequência de canções pensada para ser ouvida do princípio ao fim. São letras, imagens, histórias, créditos e pessoas.
É o trabalho de músicos, compositores, produtores, técnicos, designers, fotógrafos, editoras, distribuidores e lojas.
Um disco fica.
Fica em nossa casa.
Fica na nossa memória.
Fica ligado a uma idade, a um lugar, a uma pessoa ou a um momento.
Hoje, uma nova geração voltou a descobrir o prazer de ter música. Em vinil, CD ou outros formatos. O que importa não é o objeto. É a relação que criamos com as obras. É a vontade de apoiar artistas, descobrir novos universos e construir uma coleção que conta quem somos.
Mas começar uma coleção é cada vez mais difícil.
Quando tudo está mais caro, a cultura é uma das primeiras escolhas a ser adiada. E o primeiro disco que não se compra pode ser o início de uma coleção que nunca chega a existir.
Não queremos que os discos sejam um privilégio.
Queremos que mais pessoas possam descobrir artistas. Que mais jovens possam comprar o seu primeiro disco. Que mais música portuguesa encontre lugar nas nossas casas. Que mais criadores consigam continuar a criar.
Porque tornar a música acessível não é apenas uma questão de consumo.
É uma questão de participação cultural.
É aproximar as pessoas das obras.
É apoiar quem cria.
É garantir diversidade, memória e liberdade cultural.
Por isso, no Dia Mundial da Música, decidimos fazer um gesto simbólico.
Entre 1 e 5 de outubro, a FNAC assume o equivalente ao IVA na Música.
Não porque acreditamos que uma campanha muda um país.
Mas porque acreditamos que um país que investe em cultura nunca fica mais pobre.
Sabemos que cinco dias não resolvem tudo.
Mas também sabemos que as grandes mudanças começam muitas vezes por uma conversa.
E esta é uma conversa que vale a pena ter.
Sobre o acesso à cultura.
Sobre o valor da música.
Sobre a importância de apoiar quem cria e quem faz chegar a criação às pessoas.
Porque uma sociedade com mais música é uma sociedade mais curiosa, mais criativa, mais tolerante e mais livre.
Porque toda a coleção começa com um disco.
Porque tornar a cultura mais acessível nunca devia ser uma campanha.
Mas enquanto for preciso, fazemos a nossa parte.

