O prémio Nobel da Economia relembrou que, ao longo dos anos, foram raras as vezes que a austeridade resultou para recuperar uma economia em quebra. Para sair da crise, a Europa não precisa apenas de crescimento mas, se este não existir, é normal que a confiança dos cidadãos decresça. É por isso que Stiglitz defende que se as políticas de austeridade não forem acompanhadas de outras medidas, não terão o resultado pretendido. E os líderes mundiais já perceberam isso; o problema, disse, é que “não fizeram mais nada”.
Apontando as falhas do sistema atual, o Nobel da Economia teceu várias criticas ao euro: “Agora apercebemo-nos que muitas das convicções que defendíamos estavam erradas”. A zona euro “não foi a solução ideal”, uma vez que não possuía as condições necessárias para funcionar bem.
De acordo com Joshep Stiglitz, a moeda única europeia apenas trouxe novas divisões. No contexto económico em que nos encontramos, o euro não oferece uma solução para o problema e, como salientou, “a austeridade não resulta”.
Também o Banco Central Europeu (BCE) foi alvo de criticas por parte do Nobel por apenas se preocupar com a inflação – o que é errado. Certo seria “concentrar-se nos europeus, concentra-se nos bancos”. Pôr a inflação como principal problema “é um pensamento errado”, apontou Stiglitz, referindo que o BCE tem uma “mentalidade errada”, devendo focar-se, antes, em problemas como o desemprego.
Catarina Caldeira Baguinho
Fonte: Briefing

