Briefing | Acabam de lançar a Be Social or Die. O que vos levou a escolher este nome para a agência?
António Lobato Mello e Diogo Reffóios Cunha | Começou com um artigo publicado no site do Imagens de Marca em 2010, exatamente com esse título “Be Social or Die”.
A partir daí iniciámos conversas e mais conversas, até à decisão de lançar a agência.
O nome escolhido tem algo de perturbador e gostamos disso. Não queríamos um nome insosso e achamos que, acima de tudo, é um alerta para as marcas neste período algo incerto e, por isso, fascinante.
Briefing | Numa altura em que ainda se fala tanto de crise, o que vos levou a avançar com este novo desafio?
ALM/DRC | Crise? Qual crise? 🙂
Consideramos que os ciclos económicos existem para que as oportunidades surjam. Grandes marcas globais foram lançadas em plenas crises ou mesmo depressão. Mais do que uma crise financeira, Portugal atravessa uma crise social. Por isso nós somos a voz que chamará à razão as pessoas. Amamos marcas, queremos que sejam estas e nós publicitários a alertar e a levantar a confiança dos portugueses. As marcas devem ser o agente de mudança nesta crise social que vivemos.
Briefing | Quais os objetivos que definiram para este projeto?
ALM/DRC | Para já no imediato, conquistar clientes ou um projeto que nos permita fechar este trimestre e encarar 2014 com algum fôlego financeiro. Vamos com calma. Não temos pressa, nem podemos face ao momento. Mas é nestas alturas que surgem as oportunidades. Daqui a um ano queremos estar vivos e com saúde… Queremos ser percecionados como uma agência que vai trazer algum refresh ao mercado, não só pela curiosidade da diferença geracional, entre um baby boomer e um geração Y.
Briefing | Mas já têm clientes?
ALM/DRC | Não. Estamos ainda à procura do primeiro cliente que queira apostar na nossa estratégia, trabalhando sempre e em primeiro lugar a media gratuita para depois avançar em media paga. Não temos ainda o primeiro cliente que esteja alinhado com a nossa nova metodologia.
Briefing | Quais os fatores que distinguem a Be Social or Die das outras agências?
ALM/DRC | Somos uma agência que quer trabalhar Marcas, numa lógica de tornar as Marcas cada vez mais sociais. Leia-se próximas e queridas dos seus consumidores. Para isso acontecer vamos envolver desde a primeira hora as comunidades de fãs das Marcas, no processo criativo. Dar voz aos fãs. Ouvir os seus insights sobre conceitos e ideias antes de os clientes partirem para o investimento nos meios pagos. Queremos que os clientes se sintam mais seguros e confiantes e que vão com a campanha certa para o ar e que o chamado ROI vai realmente existir.
Briefing | Mostram uma grande preocupação com o consumidor. Acham que as redes sociais obrigaram as marcas a aproximarem-se mais dos consumidores?
ALM/DRC | Não e sim. As redes sociais online ajudam a que seja mais rápido uma marca transmitir a sua personalidade dando-se a conhecer de uma forma aberta e verdadeira. Pela essência das redes sociais as marcas tornaram-se mais próximas das pessoas. No entanto, há marcas que têm um elevado grau de afinidade com os seus consumidores e não estão presentes nas redes sociais online. As redes sociais são pessoas e as pessoas partilham aquilo com o qual se identificam. Essa informação não tem que ser obrigatoriamente transmitida pelas marcas através de ferramentas online. O conteúdo da mensagem é que tem que ser do interesse das pessoas e, com as ferramentas que hoje em dia existem, facilmente qualquer pessoa pode replicar esses conteúdos nos seus círculos de influência.
Briefing | De que forma é que as redes sociais podem ajudar as marcas a crescer e a serem mais criativas?
ALM/DRC | A partir do momento em que conhecem bem melhor os seus consumidores podem ser muito mais pertinentes e criativas nas suas mensagens. Mas a criatividade não é exclusiva de cabeças provenientes de faculdades de ideias. Todos nós somos criativos, uns com melhores ideias do que outros, mas todos somos mentes criativas. Temos é que saber adaptar a criatividade ao negócio das marcas. As marcas são feitas pelas pessoas que as compram. Se conseguirmos envolver ainda mais essas pessoas, mesmo ao ponto de as fazer sentirem-se importantes nas decisões estratégicas do negócio, criamos ainda mais valor para que cresça a lealdade e o engagement desses consumidores com essas marcas.

Escolheram um nome “algo perturbador” para o projeto em que se lançaram e não foi por acaso: António Lobato Mello e Diogo Reffóios Cunha criaram a agência Be Social or Die porque – explicaram ao Briefing – querem fazer das marcas agentes de mudança na crise social e, com elas, levantar a confiança dos portugueses.