Crónicas das “grandes transformações”

Chama-se “Notas à sombra dos tempos” e marca a estreia na escrita de Mariana Inverno, que trabalha na representação de meios de comunicação internacionais na Península Ibérica. Ao Briefing disse que os temas do livro “têm a ver com as grandes transformações que se estão a operar no mundo as quais, em meu entender, estão relacionadas com um movimento maior de mudança da ordem de valores ou paradigma central”. É lançado no dia 24 de junho, no edifício Fidelidade, no Largo do Chiado, em Lisboa.

Briefing | O que trata “Notas à sombra dos tempos”?
Mariana Inverno | Notas à Sombra dos Tempos é uma compilação de crónicas que tenho vindo a escrever ao longo do tempo. Dada a minha pouca disponibilidade e por gostar tanto de escrever (a escrita é como uma segunda respiração para mim), optei pela crónica curta, algo com princípio, meio e fim e que se torna viável num curto espaço de tempo. Os temas têm a ver com as grandes transformações que se estão a operar no mundo as quais, em meu entender, estão relacionadas com um movimento maior de mudança da ordem de valores ou paradigma central. Dei ao livro também a possibilidade de ser utilizado como oráculo, porque acho que qualquer livro o pode ser. Aliás, não são só os livros. A vida, com a inteligência que lhe é subjacente, dá-nos constantemente sinais que não sabemos ler, por falta de atenção ao detalhe e ao simbolismo de tudo quanto nos acontece – por detrás de cada coisa, vive uma outra que talvez esteja mais próxima daquilo a que chamamos verdade.
Gostaria ainda de salientar que o livro beneficiou muito com as ilustrações que a pintora Lena Gal criou a partir da minha escrita e que estarão em exposição no lançamento do mesmo.

Briefing | Porque é que decidiu lançar o livro?
MI | Há muito que escrevo,desde a meninice, de facto. A palavra foi o meu primeiro brinquedo, como digo numa das minhas crónicas. Como com tantos outros seres humanos na Terra, no meu caso aquilo que é querido à minha alma (a escrita) teve de ser relegado para segundo plano, em favor da sobrevivência. A viabilidade material da vida, as contas para pagar, a educação dos filhos, etc. Mas decidi que chegou enfim o momento de dar o sinal a mim própria: “Comecei!”. Espero não mais parar, até à partida. Como escreveu Rainer Maria Rilke no seu “Livro das Horas”, Vivo a minha vida em círculos cada vez maiores /que se estendem sobre as coisas./ Talvez não possa acabar o último,/ mas quero tentar.

Briefing | Há mais projectos para escrever novos livros?
MI | No princípio do Outono, publicarei “Poemas na Densidade”, sob o pseudónimo de Tessa Estate. Trata-se de uma pequena antologia dos meus poemas principais. Tessa Estate é o meu nome poético e este livrinho será uma edição cuidada, muito querida à minha alma. Como digo na nota introdutória desse livro, A perceção poética da vida é o patamar que a humanidade precisa de alcançar de forma permanente e integrada para ir mais além da incipiente e grosseira formatação a que está sujeita.
Tenho duas peças de teatro prontas para revisão e a serem publicadas a seguir. Trabalho atualmente, além disso, num livro interdisciplinar, com uma artista plástica. Textos a partir de desenhos/quadros, um exercício maravilhoso, muito ilustrativo da misteriosa interconexão das artes.

Briefing | É representante da revista The Economist em Portugal e Espanha. Essa ligação ao mundo da comunicação influenciou esta obra?
MI | A empresa de que sou sócia representa o The Economist Group nesses mercados. Tudo quanto nos acontece na vida, as nossas experiências, determinam o caminho que seguimos. Este caso não é exceção. O contacto com o mundo dos negócios a alto nível e dos governantes de ambos os países, tem sido expansivo de consciência e isso é o que verdadeiramente importa. Nesse sentido, acho que sim, que a minha vida profissional tem sido um fator de influência na formação de quem sou. Não mais, porém, do que outros aspetos, como o meu contacto com o mundo da arte, a família onde nasci e os cenários múltiplos de beleza e horror com que me vou confrontado todos os dias, neste mundo em acelerada transformação.

briefing@briefing.pt

Sexta-feira, 20 Junho 2014 08:57


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