Aliás, os manifestos sāo a versāo preguiçosa das ideias. Até podem ter algum insight por trás, mas o esforço para que a coisa resulte é proporcionalmente inverso ao igualmente preguiçoso método de espetar um gato ou um bebé numa campanha.
As marcas é que têm manifestos, a que também chamam de Missāo ou Visāo e geralmente estão nos próprios sites institucionais, para que estudantes universitários possam copiar para trabalhos académicos. As ideias raramente precisam de um manifesto. E quando por vezes o têm, este é bom o suficiente para durar alguns anos. É um ponto de vista, um caminho organizador. Uma…idea. E de campanha para campanha, de pitch para pitch nāo é necessário estar constantemente a mudar esse manifesto. Porque além de preguiçoso, mudar tudo é sempre um cabo dos trabalhos para todos os envolvidos. E raramente vale a pena.
A simplicidade de uma ideia derivada dos mais simples, básicos e humanos dos insights é tudo o que basta para que uma campanha seja memorável. Exemplos mais recentes das campanhas do Skype, Google ou Lego que vāo buscar a saudade, o querer ajudar ou a presença do pai na vida de uma pessoa, respetivamente. (videos em baixo). Parece fácil e se calhar é. Afinal somos todos humanos.
E se estāo a pensar “isso é muito bonito e tal, mas ‘bora lá fazer o mesmo para o Lidl, para o MEO ou para o BES”. E porque nāo? A publicidade também tem (ou deveria ter) um papel educativo na sociedade e se é preciso alguém que comece a fazer coisas em bom, entāo vamos a isso. O que nāo falta é pessoas capazes para levar a bola para a frente. Parece fácil. E se calhar nāo é. Mas vale a pena tentar. Simplifiquem.

Ultimamente, parece que os criativos publicitários só sabem pensar em jeito de manifesto. Como que para justificar uma ideia precisamos de uma grande e elaborada história. Newsflash people: we don’t.