Crianças, dirão vocês. Quando esses comportamentos se extremam, ou se antagonizam com o standard – uma criança a isolar-se, não querer brincar, ou recusar chocolates… aí notamos um uma quebra de protocolo que pode ser uma chamada de atenção.
O consumidor é exímio a transmitir este tipo de sinais, que, por vezes ignorados ou tardiamente percebidos, podem impactar significativamente no negócio das nossas marcas. Mais grave é quando essas alterações de comportamento são tão naturais e gravadas no quotidiano que não aparecem em qualquer estudo ou avaliação relativa ao negocio que gerimos.
Sensíveis a isso, já varias marcas locais ou globais redirecionaram o seu foco de comunicação, dos seus produtos ou das suas marcas, para o consumidor, ainda que com discursos e dramatizações bastante plásticas e pouco reais. Passamos de promessas tangíveis para promessas mais aspiracionais. Assistimos a uma maior preocupação com o envolvimento emocional – critico no momento de decisão de compra – do que com o atributo funcional. Promovemos uma aproximação maior entre os valores da marca e as reais expectativas do consumidor. Deixámos de nos retratar enquanto marcas para retratarmos o consumidor.
Mas há uma grande diferença em nos deixarmos fotografar por um fotógrafo (marca retratando o consumidor) e de assumirmos o papel de fotógrafo e modelo (consumer selfie).
A vivência de um momento único e a partilha do mesmo, retratando a experiencia pessoal mesmo que o cenário, contexto, enquadramento seja secundário, acentua a tónica na capacidade individual de viver, fazer, sentir, escolher. O movimento democratizado das selfies é a emancipação do consumidor procurando conduzir as suas escolhas em função da autenticidade do discurso das marcas, em função das suas reais necessidades e sobretudo dos benefícios holísticos associados às promessas. O movimento autêntico das selfies é um convite as marcas a tirarem a sua própria selfie e partilharem-na com os consumidores.
Não resta as marcas despirem-se de um discurso falso, plástico, de modelos distantes e cenários distantes. Assumirem o que são na sua essência e convidarem o consumidor a viver, experienciar, sentir essa real vibe. Ser autêntico.
E a sua marca? Já publicou uma selfie?
Narcissistic personality involves a preoccupation with self (selfie post) and how one is perceived by others (likes)
Unknown Author
http://www.hollywoodreporter.com/news/miptv-ellen-degeneres-oscar-selfie-694562

From brand selfie to consumer selfie. Sendo pai de uma criança de 3 anos, estou permanentemente a ser confrontado com comportamentos pouco ortodoxos ou mesmo estranhos aos olhos de um normal adulto por parte do meu filho – recentemente fui surpreendido o meu filho a rosnar para outra criança.