ERC: Declarações de José Alberto Carvalho reforçam posição de quem é contra serviço público de TV

Lisboa, 16 jan (Lusa) – As declarações do diretor de informação da
RTP sobre o pluralismo partidário da ERC têm o “efeito perverso” de
“reforçar” a posição dos que defendem que não é preciso um serviço
público de televisão, disse o presidente do regulador.


“Este tipo
de comportamentos são o melhor instrumento para reforçar a tendência que
anda por aí para se pôr em causa a existência do serviço público de
televisão”, disse Azeredo Lopes em entrevista à agência Lusa, comentando
às declarações de José Alberto Carvalho que na semana passada disse que
os dados da ERC sobre pluralismo partidário na estação pública são um
“um absurdo” estatístico, jornalístico e de regulação.

“Se alguém
diz que faz como entende e não está sujeito a obrigações especificamente
consagradas na lei”, diz o presidente da ERC, levanta-se uma questão:
“Então para que é existe serviço público de televisão?”.

Para
Azeredo Lopes, “não é aceitável que quem quer que seja se refugie num
conceito absurdamente abstrato de conceitos jornalísticos para fazer o
que lhe apetece. Não é aceitável que alguém numa democracia esteja acima
de tudo”.

O presidente do conselho regulador da ERC, cujo mandato
termina em fevereiro, diz-se um “convicto” crente na existência de um
serviço público de comunicação num “contexto europeu particular” e numa
sociedade como a portuguesa.

“É muito importante a existência de
um serviço público de televisão, rádio, multimédia”, sustentou.

O
mandato do atual conselho regulador da ERC termina com aquilo a que
Azeredo Lopes define como uma “guerrinha do alecrim e manjerona” com o
diretor de informação da RTP sobre quotas para o pluralismo político na
estação pública.

O caso diz respeito aos números do regulador
sobre a presença do PSD na RTP no ano de 2009, concluindo a ERC que o
partido se encontrou sub-representado e com valores de cerca de metade
do definido de acordo com os critérios.

Os sociais-democratas
chamaram o diretor de informação da RTP à Comissão de Ética, o que
sucedeu na passada quarta-feira, e onde José Alberto Carvalho contestou
os critérios da ERC sobre o pluralismo político, definindo-os como um
“absurdo jornalístico” que pode colidir com o código deontológico da
profissão.

Os dados da ERC “pretendem impor à RTP critérios que
não são jornalísticos, que não obedecem aliás a qualquer lógica
editorial”, o que tem “como consequência colocar a RTP no centro do
debate partidário” e obrigar a estação “a uma responsabilidade que não é
sua”, disse o diretor de informação da estação pública aos deputados da
Comissão de Ética.

PPF.

*** Este texto foi escrito ao
abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Fim

Segunda-feira, 17 Janeiro 2011 10:15


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