Num seminário organizado pelo Centro de
Formação de Jornalistas (CEFOJOR) de Angola, por iniciativa do
Ministério da Comunicação Social, Azeredo Lopes aproveitou ainda para
defender que é essencial perceber que “aquilo que é do interesse do
público não é forçosamente de interesse público”.
Este seminário, a
que se vão seguir outros, tem como objetivo recolher contributos e
experiências de vários países para criar um elemento de regulação em
Angola mas, essencialmente, como refere a organização, “criar uma
filosofia de regulação” dos media.
Recorrendo a alguns exemplos
pessoas, Azeredo Lopes foi explicando a uma plateia numerosa, com a
presença da ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira, que os
jornalistas devem ter uma consciência clara dos seus limites para que os
direitos das pessoas não sejam beliscados.
Um dos exemplos
pessoais a que recorreu foi a publicação por um jornal português da sua
declaração legal de rendimentos, que disse concordar, mas juntou a sua
discordância quando, na mesma notícia, foi publicada a sua morada
familiar e o nome da mulher.
O presidente da ERC explicou que
ligou ao diretor desse jornal, que lhe explicou “a estupidez” que tinha
feito por não poder, ”por razões éticas” resultantes do cargo, abrir um
processo, e, com ironia, chegou a dizer ao responsável pelo publicação
que podia “ser gay”.
Admitiu, no entanto que “a exposição de vida
privada muitas vezes acontece porque são as próprias pessoas que pedem
que seja feita a devassa da sua própria vida”.
Azeredo Lopes disse
que “não é por se desempenhar um cargo público, ser figura pública, que
fica varrido o seu direito de reserva”.
O jornalista, entende
Azeredo Lopes, tem de ter consciência dos limites, porque pode e deve,
como diz o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, ser um “cão de
guarda” mas não pode ser um “cão raivoso”.
Pode e deve ser o
‘watch dog’ que investiga e que “por vezes nos irrita”, mas não pode ser
um ‘mad dog’ que não tem limites.
Alertou ainda para o risco de
as pessoas deixarem de acreditar que é possível reparar danos causados
pela publicação de algumas notícias, por questões como a demora na
justiça para reparação de danos “nem que seja moral”.
Apontou
ainda, em resultado da sua experiência, que há jornalistas que não sabem
que estão em incumprimento de algumas normas, mas disse que “já não é
aceitável que desconheçam os direitos das pessoas” e, por isso apontou
como essencial a formação.
“Há pessoas que antes de serem julgadas
em tribunal já carregam o peso da culpa” devido a notícias feitas sem o
cumprimento de regras, alertou.
Admitiu no entanto que não é
fácil aos jornalistas trabalharem perante a “filigrana jurídica”.
E
aconselhou a que em Angola se faça um esforço para diferenciar aquilo
que é do interesse do público do que é de interesse público.
RB.
***Este
texto foi escrito ao abrigo Novo Acordo Ortográfico***
Lusa/fim
