Em 2011, a conferência anual da APAN é dedicada ao “novo paradigma de comunicação de marcas”. Em que sentido acha que o Grupo Publicis está a avançar no sentido desta nova era digital?
Anthony Gibson (AG) –O Grupo tomou consciência da necessidade de investir fortemente nesta disciplina há uns anos atrás. Muitos passos foram dados entre as agências criativas já existentes para se prepararem para isso, tendo sido feitas em todo o mundo grandes aquisições de agências digitais de topo, incluindo nomes sonantes como Digitas, Razorfish, Big Fuel e Rosetta. Os nossos parceiros de media, StarcomMediaVest e ZenthOptimedia, sob a égide da Vivaki, também aumentaram os seus conhecimentos digitais. Graças a isso, a receita digital do Grupo estará perto dos 30% do facturamento total em 2011. Além disso, a necessidade de incluir todas as nossas agências criativas numa plataforma digital continua a ser um dos principais objectivos e continuaremos a investir nesta área – Portugal não é excepção
Como vislumbra os próximos anos no que se refere ao investimento em comunicação de marcas ou em marketing digital? Acredita que o digital se irá sobrepor a todos os outros media?
AG – Acredito que nos próximos anos a televisão e outros media ‘tradicionais’ ainda terão a maior fatia do bolo. Contudo, creio que as pessoas irão interagir cada vez mais digitalmente com este tipo de media. O digital tem a vantagem de ser uma ferramenta instantânea ou de entretenimento, com a opção de personalização.
Hoje em dia, as plataformas digitais e as redes sociais assumem uma grande dimensão, mas coisas ainda mais espantosas irão emergir através de novos e inovadores hardwares. Precisamos de nos preparar para isso.
Como é que sente que o mercado está a reagir e a responder a estas mudanças rumo ao futuro? Há de facto uma vontade de resposta?
AG – Alguns mercados e algumas agências estão mesmo à beira do acontecimento. Ainda gira tudo em torno de grandes ideias que têm o poder de transformar o comportamento humano. Infelizmente, nem todas as agências estão dispostas ou têm os meios necessários para dar este salto. Começa com uma mudança de mentalidades, depois é uma questão de ter ou trabalhar com as pessoas certas. Não se trata de sites ou banners, mas sim de plataformas, entretenimento, ferramentas úteis personalizáveis, e acesso instantâneo com a nova tecnologia que muda a cada dia.
Quais são as suas expectativas para esta conferência? Até que ponto é que ela poderá abordar novas perspectivas aplicáveis ao mercado ou ao comportamento da sua agência?
AG – Felicito a APAN por esta iniciativa e agradeço o convite para estar entre um painel de ilustres profissionais. Na minha opinião, é um prazer para o público português ter a oportunidade de ouvir o Barry Wacksman da R/GA, uma das agências digitais mais criativas do mundo, a falar sobre o futuro. Espero que com esta conferência as pessoas se apercebam que estão apenas a arranhar a superfície do potencial do digital, que plataformas e aplicações inovadoras são mais poderosas do que banners e websites, e que as agências criativas ainda têm um papel fulcral no desenvolvimento de grandes ideias que podem ser desdobradas.
Saiba mais em www.apan.pt/conferencia2011/.

Quem o diz é Anthony Gibson, presidente do Publicis Group Creative Agencies Portugal, e um dos oradores participantes da conferência anual da APAN, no próximo dia 7 de Outubro.