Na feira internacional de calçado de Milão, Liam Donnely, que substituiu o gestor Sérgio Sousa na direção da empresa de calçado de Esmoriz, afirmou que pretende fechar 2011 com uma produção de 1,1 milhões de pares de sapatos, nas fábricas de Esmoriz e da Índia, e um volume de vendas superior a 20 milhões de euros.
As mudanças na direção da MoveOn, adquirida em junho em processo de insolvência pela ECS Capital, gestora do Fundo Recuperação de Empresas, coincidem com a entrada do grupo indiano Tata no capital da empresa, uma posição que deverá ser reforçada em breve.
Liam Donnely, licenciado em física, chegou a Portugal há cerca de 15 anos para a fábrica de calçado Ecco, em São João de Ver, que viria a fechar anos mais tarde, passando depois a assumir a direção da CJ Clarks, entre 1998 e 2003, ano em que a fábrica de calçado, em Castelo de Paiva, fechou portas.
Entretanto, o gestor rumou à Índia, mantendo atividade no setor do calçado “sem qualquer ligação ao grupo indiano Tata”, garantiu.
Desde que a falida Move On, designação da antiga DCB, braço industrial do grupo Investvar, que durante duas décadas cresceu com a representação da Aerosoles, foi comprada pelo Fundo de Recuperação de Empresas, os destinos da empresa foram entregues a Sérgio Sousa, ex presidente executivo da Heinz no Japão.
Segundo Liam Donnely, a meta dos 20 milhões de euros de faturação será alcançada por via da “concretização de novos contratos de distribuição em vários países”.
Neste momento, explicou, os clientes em ‘private label’, com a Marks & Spencer, de novo, em destaque – já era um cliente importante da Investvar – representam cerca de 40 por cento da produção, que neste segmento é assegurada na totalidade pela fábrica na Índia.
Na fábrica de Esmoriz, é produzida grande parte da marca Move On, que, revelou, é comercializada em “centenas de lojas multimarca em Itália, Grécia, Turquia, Israel, Alemanha, Suíça, Áustria” e em lojas com a marca Move On – que faziam parte da rede de retalho da Investvar em Espanha, Portugal, França e Bélgica – e que foram comprados pelo grupo francês Privilégié.
“Queremos encontrar novos clientes, fazer novos contratos com vários distribuidores para reestruturar a rede de distribuição e assim poder crescer”, realçou aos jornalistas, em Milão, no segundo dia da feira internacional de calçado, em que a Move On tem um dos maiores pavilhões entre as 80 empresas portuguesas.
Segundo o inglês, a Move On, que em Portugal emprega 160 pessoas, tem vindo a recrutar trabalhadores para as áreas de logística, desenho e desenvolvimento do produto.
JNM
Lusa/Fim
