Há reinvenção neste ano. Diz o Edson

Na FCB Lisboa, 2021 foi o ano do prefixo “re”. De resiliência, de rever processos, e de reforçar a ideia da empresa. Tudo isto – diz o CEO, Edson Athayde – sem tentar, ou poder, repetir coisas que deram certo no passado. Já em 2022 o “re” vai ser de reinvenção: para fazer mais, diferente e melhor. Tudo menos um dia a dia previsível.

Um ano curioso, mas bom. É desta forma que o CEO da FCB Lisboa, Edson Athayde, carateriza 2021. Acredita que vai ficar na memória como o ano após o susto, que foi 2020, e em que – diz – “tudo deu um pouco mais de trabalho que o normal”. “Foram 12 meses que pareceram 30, mas, ainda assim, foi um ano bom”, admite.

Instado a definir o ano da agência numa palavra, o também Chief Creative Officer (CCO) sintetiza em menos, mais concretamente no prefixo “re”: “da resiliência, do rever processos, do reforçar a ideia de empresa”. “Tudo isso sem tentar, ou poder, repetir coisas que deram certo no passado”, observa.

 

Alegria a desconfinar

 

Manter a cultura de empresa em 2021 tem sido “um desafio e tanto”. “Éramos, somos, uma agência muito dedicada às pessoas. Desde 2014, por exemplo, que implementámos uma metodologia que, ano a ano, tira horas de trabalho (que continuam pagas) dos nossos colaboradores para que possam ter mais vida lá fora”, comenta, salientando que o confinamento “desvirtua muito isto”. Conta o “gozo” que dava levar os colaboradores ao cinema, ao teatro, a comer à beira do Tejo, o que estão a retomar, embora sempre com alguns constrangimentos. “Para quem está de fora pode parecer estranho, mas sabemos que uma empresa criativa precisa muito da alegria de quem nela trabalha”, sustenta.

 

Bela safra

 

Edson Athayde compara 2021 a um vinho: “Foi uma safra muito boa” em termos de prémios, diz. A FCB Lisboa ganhou, pelo terceiro ano consecutivo, um prémio Ouro no Act-Responsible, que escolhe as melhores campanhas do mundo de responsabilidade social; o único prémio para Portugal no PHNX Tribute (Prata); e seis casos finalistas e um Ouro Prémios à Eficácia. A agência figurou também no Top 50 das Melhores Agências do Mundo no Cresta Awards, teve um projeto no Top Ten do AdForum das Melhores Campanhas de Turismo do Mundo e recolheu o hexacampeonato de Agência do Ano nos Prémios Lusófonos. “Foram dezenas e dezenas de prémios e reconhecimentos nacionais e internacionais”, comenta o CEO.

 

À volta da mesa

 

Quase dois anos depois de entrar nas nossas vidas, a Covid-19 diminuiu a criatividade ou, pelo contrário, estimulou-a? Edson Athayde entende que ninguém deve comemorar ou minimizar os efeitos de uma pandemia, até porque, nota, “cabeças separadas não pensam tão bem como cabeças juntas”. “Procurámos compensar, com muito esforço, os efeitos do distanciamento. Descobrimos que até conseguimos. Mas temos saudades de poder trabalhar nos projetos à volta de uma mesa”, conta.

Para ficar veio o modelo híbrido de trabalho. “É o caminho natural e um desejo da maior parte dos colaboradores”. A propósito, revela que a agência está a pensar em mudar até de escritório, abrir mão de um espaço com lugares fixos para um em que as pessoas possam ir quando quiserem, quando for melhor para o projeto que tiverem em mãos. “Possivelmente, é assim que estaremos já no fim do ano”, adianta.

 

 

Contra o previsível

 

“Somos capazes de tudo”, garante o CEO quando se fala das aprendizagens dos últimos dois anos. “A dificuldade é a mãe da invenção”. E, em 2022, o foco estará em incentivar mais a existência de projetos em colaboração com entidades externas, desde artistas e profissionais de outros países. “Queremos continuar a ser a principal referência da publicidade portuguesa no exterior”, afirma, acrescentando que, para tal, a agência tem de ser cada vez mais aberta para o mundo. 2022 vai ser, pois, de um “re” diferente: “Será o ano da reinvenção”. “Fazer mais, fazer melhor, fazer diferente, acertar diferente, errar diferente, tudo menos um dia-a-dia previsível”, remata.

 

A campanha mais eficaz

CMTV (filme + anúncios)

“Conseguimos, com um orçamento mínimo, dominar as atenções numa guerra publicitária que envolveu todas as marcas do sector. As nossas bifanas provaram que eram mais saborosas que as bifanas dos outros”.

 

A campanha mais criativa 

Livro da Missão Paralímpicos

“Escolhemos um trabalho de design, de BTL para mostrar que a criatividade pode existir em qualquer lugar. Um projeto muito bonito que entrou para a história do desporto em Portugal”.

 

A campanha com melhor uso do meio

Mapa CMTV

“Nunca um simples mailing provocou tantas reações nas redes sociais. Meia dúzia de mapas em canudos nas mãos das pessoas certas provocou um buzz tremendo. Até o dono da estação concorrente veio a público elogiar a ação. Eficácia é isto”.

 

A campanha mais positiva

Oceanos Sem Plásticos – Vai dar M…

“Pode não parecer, mas qualquer campanha a alertar para os perigos do mundo é também um elogio à esperança. Apesar de dizermos que se não fizermos nada vai dar m… O que dizemos na verdade é que acreditamos no poder da humanidade agir bem e escolher um futuro melhor”.

 

A campanha mais memorável

Pedrinho Ano Novo

“Esta veio mesmo na virada de 2020 para os primeiros dias de 2021. Foi o necessário follow up de um dos filmes mais queridos e memoráveis que já fizemos, o “Pedrinho”, lançado já na segunda semana de pandemia”.

 

briefing@briefing.pt 

 

Terça-feira, 08 Março 2022 12:26


PUB