De acordo com a mesma responsável vivemos num contexto de “águas turbulentas”, onde a mudança é uma constante: “Assim, para garantir que estamos a contribuir e a cumprir as deliberações definidas como estratégicas, é imperativo aferirmos e monitorizarmos a relevância das nossas escolhas e ações e mantermo-nos todos corresponsáveis perante todos”.
Briefing | Esta edição da Happy Conference tem como mote Execução e Produtividade para Resultados Extraordinários. No seu entendimento, como é que a arte de executar ou “fazer acontecer” pode ser uma fonte de realização, satisfação?
Maria João Pantaleão | Nada é mais mobilizador do que saber que estamos a ganhar. Como quando a nossa equipa passa uma eliminatória num campeonato, é impossível não sentirmos o entusiasmo, a energia e a certeza de que podemos ir mais além. O mesmo acontece quando sabemos que aquilo que fazemos no dia-a-dia tem sentido, significado e impacto em algo maior. Saber que estamos no “bom caminho” para a execução da estratégia da empresa onde trabalhamos, sentir que estamos efetivamente envolvidos e que as escolhas que fazemos são importantes é uma fonte de motivação. Em primeiro lugar, porque implica responsabilização – a responsabilidade de dedicarmos o nosso melhor esforço, de fazermos escolhas ponderadas e significativas, de procurarmos todos os dias sermos melhores naquilo que fazemos – em segundo lugar, porque decorre da valorização – o valor que a organização reconhece efetivamente a cada pessoa e no potencial que cada um tem para concretizar.
A “arte de executar e fazer acontecer” evidencia a inevitabilidade de acreditar que “somos capazes” que “é possível” e assim desperta em cada pessoa a inquietação de se superar a si própria.
Briefing | Concorda com o Ram Charan quando refere que “70% of strategic failures come from poor execution of leadership; it’s rarely for lack of smarts or vision.” A Execução é de facto o desafio n.º1 de um líder?
MJP | Sim, concordo inteiramente. O design da Estratégia é um momento conceptual, de teorização de cenários face a outros cenários – que nem sempre se concretizam, ou que se alteram rápida e inesperadamente. Esta é a fase da produção cognitiva e intelectual de quem, no topo, define as vias fundamentais a percorrer para chegar ao ponto definido – a Visão.
A Execução consiste na produção de ações quotidianas em cada microcosmos organizacional, das escolhas que cada pessoa faz à escala da sua atividade. Se não houver clareza constante em relação ao ponto onde se pretende chegar (visão) e as vias a percorrer até lá (estratégia), as escolhas e ações funcionais podem, silenciosamente e sem aviso, afastar-nos da Estratégia definida.
Vivemos num contexto de “águas turbulentas”, a Mudança é uma constante. Assim, para garantir que estamos a contribuir e a cumprir as deliberações definidas como estratégicas, é imperativo aferirmos e monitorizarmos a relevância das nossas escolhas e ações e mantermo-nos todos corresponsáveis perante todos.
Se a Estratégia parte da criação, por vezes, “solitária” da liderança, a Execução é coletiva. Este, é a meu ver, o grande desafio da liderança: tornar a sua visão um desígnio coletivo, com o qual todos se sintam inspirados e mobilizados para dedicarem voluntariamente o seu esforço e talentos.
Briefing | Num contexto como o atual, complexo e imprevisível, onde somos constantemente confrontados com excessos de informação e estímulos dispersos, como é que procura alinhar as suas pessoas e equipas? Focá-las na execução estratégica e na prossecução dos objetivos críticos?
MJP | O desafio diário é o de manter a focalização nas prioridades, separar o essencial do acessório; manter os circuitos de comunicação abertos e acreditar que todos os dias vamos ser e fazer melhor do que fizemos hoje.
Briefing | Na sua opinião quais são as principais barreiras à produtividade de pessoas, equipas e organizações?
MJP | A falta de clareza da Visão e da Estratégia – o facto de existirem, não significa que sejam claras para todos; falta de clareza dos papéis que cada um desempenha na organização; falta de responsabilização e corresponsabilização; dificuldade em identificar e definir prioridades – a pressão para agir gera, facilmente, dispersão.
Briefing | Se tivesse de eleger um princípio, uma metodologia ou prática que na sua opinião é essencial para a criação de uma cultura de execução e produtividade na FranklinCovey qual é que elegeria?
MJP | Focalização. Sem dúvida o princípio da focalização seria o ponto de partida.
Briefing | No dia 21 de Março o que é que espera levar da intervenção do Chris McChesney?
MJP | Espero uma intervenção enérgica e inspiradora, que nos faça acreditar que, efetivamente, cada um pode fazer a diferença.
Briefing | O que leva a FranklinCovey a apoiar uma iniciativa como a Happy Conference?
MJP | Em primeiro lugar, pelo conceito inerente à própria Happy Conference –inspirar as pessoas e as organizações para uma existência positiva, significativa e feliz; em segundo lugar, porque acreditamos que o tema deste ano é, mais uma vez, altamente relevante e potencialmente portador de valências que nos inspirem e mobilizem à transformação e superação individual e coletiva.
Fonte: Briefing

