Já não nascem mais espetadores de tv

Diogo Queiroz de Andrade, Consultor de Media, Produtor de Conteúdos e Jornalista Quem nasceu depois do ano 2000 já não depende da caixa televisiva para ver conteúdos vídeo. Esses estão disponíveis para consumo em todas as plataformas, menos na tv tradicional.

As principais cadeias americanas já sentem este fenómeno de forma declarada, visto que têm uma audiência com a idade média acima dos 50 anos – e a tendência vai espalhar-se pelo mundo. Mas isto não quer dizer que se veja menos conteúdo televisivo, simplesmente esse conteúdo é visto pela web e não pela distribuição televisiva. O crescimento de conteúdos vídeo na net deve-se a três fatores decisivos: a tecnologia, a diferenciação de conteúdos e o investimento publicitário.

Começando pela tecnologia: a melhoria da qualidade do acesso à net é determinante para uma boa experiência digital, e todos os números confirmam que o crescimento é exponencial; nos Estados Unidos 90% dos utilizadores de internet admitem consumir vídeo regularmente; grande parte do crescimento está no mobile, com o consumo de vídeos em smartphones e tablets também a crescer – e a Cisco estima que daqui a um par de anos, dois terços dos dados móveis sejam ocupados com vídeo.

Em termos de conteúdos, a tendência é assinalável: a AlJazeera acaba de anunciar o AJ+, um canal vídeo online que vai arrancar no início de 2014; o Huffington Post tem o seu canal em direto e ao vivo, transmitindo 12 horas por dia; o WSJ tem 8 horas de emissão por dia; o Buzzfeed passou de 1 para 32 pessoas na área de vídeo num ano para alimentar conteúdo aos seus 2.5 milhões de subscritores; e o New York Times acaba de acrescentar ao já assinalável portfólio vídeo um modelo noticioso original com um minuto de duração, emitido três vezes ao dia.

Do ponto de vista publicitário, os dados também impressionam: é a área da publicidade online que mais cresce em todo o mundo de forma sustentada; é a que tem maior retorno financeiro; o Facebook recolhe 30% da sua receita no vídeo; no mês passado a AOL comprou a maior rede independente de ad vídeo, a Adapt.tv.; e, de acordo com a eMarketer, o investimento publicitário em vídeo para plataformas móveis vai quadruplicar até 2016.

O Youtube é, ao mesmo tempo, a grande ameaça e a grande oportunidade para os produtores de vídeo. É uma excelente oportunidade porque permite a distribuição em larga escala de forma segura, criando audiências a fenómenos como o Porta dos Fundos (que têm vários vídeos com 10 milhões de visualizações). Mas é também uma ameaça porque a plataforma fica com grande parte da receita publicitária disponível, canibalizando mesmo conteúdos que foram produzidos para outros canais e que acabam exibidos no Youtube. Isto tem consequências dramáticas para os tradicionais canais de tv, mas isso fica para a semana.

Sexta-feira, 29 Novembro 2013 10:21


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