Muzas ou o regresso ao passado em Canavezes

  Muzas ou o regresso ao passado em CanavezesReclama o título de marca portuguesa de cosmética mais antiga e regressa agora ao mercado pelas mãos do grupo Canavezes.

Propõe-se recuperar o passado emocional dos séculos XIX e XX, em Portugal e não só: porque os aromas da Muzas estão já em Paris e Patrícia Canavezes, a presidente da empresa, anuncia para breve a chegada ao Brasil, ao Dubai, aos Estados Unidos e a Inglaterra.

Briefing | A Muzas apresenta-se como a mais antiga marca portuguesa de cosmética. O que sustenta esta afirmação?

Patrícia Canavezes | O primeiro registo existente da marca Muzas remonta a 1885 e, de facto, não se conhece nenhum marca portuguesa de cosmética com base em água termal anterior. Mesmo no mercado internacional, a única marca cosmética que utiliza as propriedades do plâncton termal e das águas termais é a Bioderm, mas com a diferença de que esta última não possui um recurso hídrico próprio, como Canavezes, que é a primeira marca cosmética termal.

Briefing | O que levou a Canavezes a relançá-la?

PC | Ao reeditar a marca Muzas pretendemos homenagear D. Mafalda de Sabóia, primeira Rainha de Portugal, que em 1143, ano da fundação da nacionalidade, em função dos problemas de pele de que padecia, mandou reerguer as termas de Canavezes, destruídas aquando da chegada do Cristianismo à Península Ibérica. Relançar a marca Muzas é também recuperar o passado emocional dos séculos XIX e XX, em que Muzas surgiu como uma marca de cosmética e do lar, que, sob encomenda, produziu chapéus para as famílias reais de toda a Europa, lençóis de linho ricamente bordados, óleos essenciais para aromatizar roupas de cama e atoalhados utilizados na estância termal de Canavezes, bem como diversos produtos de higiene e bem-estar.

Por fim, a reedição de Muzas é também um cartão de visita para dar a conhecer o Palácio de Canavezes – Hotel and Thermal Clinic, que reabrirá as suas portas no início de 2015. Para isso, vamos recuperar o Hotel Palácio de Canavezes, construído na primeira década do século XX e que é uma herança nacional, outrora frequentado por individualidades como António de Oliveira Salazar, Amália Rodrigues ou Cármen Miranda, que ali se hospedaram para usufruir da estância termal de Canavezes. Será um hotel vintage, fiel ao espírito e tradições da época e que vai dar a conhecer a história e as muitas estórias de Canavezes.

Briefing | Uma das tendências de consumo prende-se com o chamado retromarketing. A Canavezes revê-se nesta onda de corresponder à nostalgia dos consumidores?

PC | Sim, apercebemo-nos de que as pessoas elogiam a imagem retro que utilizamos e mostram muito interesse em conhecer os detalhes do legado histórico que pretendemos dar a conhecer. Acreditamos que Muzas é mais do que um produto – é uma viagem ao passado e à identidade nacional de todos os portugueses, pois todos os produtos contam pequenos excertos da história de Canavezes e de Portugal.

Briefing | Que investimento implicou este regresso ao mercado?

PC | Este regresso ao mercado envolveu um investimento considerável, mas destaco, sobretudo, o enorme envolvimento humano que implicou e implica e que não é quantificável.

Briefing | Que produtos abrange e que pontos de venda foram privilegiados?

PC | Além dos sabonetes, a marca terá cremes, champôs, colônias sólidas, velas, folhas de cheiro e outras surpresas. Estarão à venda em lojas gourmet e lojas de decoração mas, sobretudo, em pontos de venda que primem pela qualidade dos seus serviços e produtos.

Briefing | Além do mercado português, foram colocados em Paris. O que determinou esta escolha?

PC | Estrategicamente, escolhemos Paris devido ao glamour da capital francesa e também pelo facto de o lema do brasão de Canavezes, atribuído pelo Infante D. Henrique no século XV, ser em francês –”Talant de bien faire” – que era a língua oficial do reino na altura.

Briefing | Estão outros mercados no horizonte das Muzas?

PC | Sim, o plano de internacionalização da marca contempla a comercialização da linha Canavezes Muzas, em breve, no Brasil, no Dubai, em Inglaterra e nos Estados Unidos da América.

Briefing | Qual tem sido a recetividade até agora, quer interna, quer externamente?

PC | A recetividade que temos registado está acima de todas as expectativas. Desde a colocação dos primeiros produtos no mercado que temos recebido inúmeros contactos, quer de clientes a dar-nos conta de que os produtos dermatológicos Canavezes produzem, efetivamente, resultados, quer de pessoas oriundas dos mais diversos pontos do país e do estrangeiro, que querem saber quais os pontos de venda mais próximos dos locais onde residem. Para mais, os elogios ao design e conceção das embalagens, bem como ao seu cariz tradicional, são constantes, o que muito nos orgulha.

fs@briefing.pt

 

 

 

Terça-feira, 03 Dezembro 2013 12:34


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