Bem vindos à georeferenciação. Escrito assim, é difícil chamar a atenção; mas se for escrito de outra forma já será mais interessante: o smartphone vai passar a dar constantemente informações e dicas de consumo baseadas nas preferências e desejos individuais, de acordo com o local onde se está. É este o mercado que mais interessa à Google e é para aqui que se encaminha grande parte do seu investimento.
A ideia da Google passará por fazer dos mapas o novo motor de busca padrão, em que procuramos o que queremos por proximidade – mais uma vez facilitando a vida aos consumidores, encaminhando-os para anunciantes e recolhendo lucros publicitários pelo caminho. Por isso passou tantos anos a investir massivamente em mapas, indexando a geografia humana e preparando o domínio inovador do target marketing. A premissa da Google é sempre a mesma: quanto mais informação lhe dermos, mais bem preparada estará a inteligência artificial para servir os nossos interesses – vendendo publicidade de forma massiva e dominando o mercado que ajudou a criar.
O Google Now é o primeiro passo na construção desta máquina virtual de satisfação de desejos e necessidades baseada no local onde se está e nos hábitos que temos. Se fazemos sempre o mesmo trajeto para o trabalho, queremos saber se há problemas de trânsito no caminho – não há problema, porque o GoogleNow diz mesmo antes de perguntarmos; se compramos frequentemente livros, queremos saber que abriu uma nova livraria ao lado de casa; e se gostamos de sushi, queremos conhecer as críticas, o menu e as recomendações da comunidade virtual sobre os melhores restaurantes japoneses do bairro onde estamos. E mesmo que não queiramos, o GoogleNow vai dar esta informação à mesma, baseado nos hábitos de consumo que simpaticamente oferecemos sempre que estamos online.
A ameaçar o domínio Google estão os suspeitos do costume, Apple e Microsoft. A Apple começou mal, com muitos problemas na sua aplicação de mapas, apesar do sucesso inicial da Siri. Mas com o novo sistema operativo e com as mudanças introduzidas, está a ganhar fãs de forma clara – a ComScore adiantou que em setembro a aplicação da Apple já tinha ganho 35 milhões de utilizadores, aproximando-se dos 58 milhões que usam o Google Maps.
E um concorrente surpreendente, pelo menos nestas coisas da geografia digital, chama-se Nokia. Depois de ter comprado a Navteq e de ter passado vários anos a investir na sua divisão de mapeamento, firmou agora várias parcerias com fabricantes de carros, para além da Amazon e da Microsoft. E a Microsoft aposta nessa parceria para a guerra da publicidade móvel, guerra essa que ganhou um novo capítulo esta semana com o lançamento de merchandise anti-google.

As bases de dados e os mapas da Google, juntos, formam a mais extraordinária máquina de publicidade localizada alguma vez pensada.