“Nós, Consultores, que iniciamos a vida no mundo das tecnologias na década de 90, sabemos bem o que sentimos quando nos apelidam de ‘Dinossauros’ neste novo mundo digital. É a forma mais agradável de nos chamarem de ‘velhos trapos’ das Tecnologias de Informação (TI). Somos Consultores de Mainframe claro, fazemos análise e programação numa linguagem que estava para acabar há mais de 30 anos – o Cobol. Mas, a verdade é que ainda continua a ser um elemento crítico em todas as infraestruturas dos maiores players do mercado. O que nos motiva é que quando formos extintos do Planeta (um dia talvez!), deixaremos fósseis de grande dimensão no mundo tecnológico, pois foi na área de Mainframe que se construíram as maiores Empresas Financeiras e de Serviços.
Quantos de nós, consultores por paixão, ouvimos os nossos pais, nos finais dos anos 80 dizer: “Filho/a, tens de tirar um Curso de Informática, é o que está a dar”. No secundário, onde alguns entraram logo para os ‘modernos’ cursos tecnológicos de Informática, outros, após o mesmo, entraram para licenciaturas de Informática – de gestão ou engenharia. O certo é que num ou noutro, o conteúdo programático baseava-se em: criar fluxogramas e pseudocódigos que culminavam em linguagens como Pascal, Assembly e Cobol, mas com o alerta constante dos nossos formadores que nos diziam: “Não vale a pena se preocuparem muito com elas, pois estão para acabar!”. Eram consideradas linguagens de baixo nível, em comparação às vanguardistas que se estavam a evidenciar na entrada do ano 2000, como: C++ e Java – as chamadas linguagens orientadas a objetos. Sim, aquelas que nos apressámos a fazer, após as licenciaturas, pois essas sim seriam o grande futuro!
“… Linguagens de Windows e da Internet são de alto nível. Elas oferecem muitos recursos. Mas quem for programar um sistema operacional do zero ou então criar instruções para incluir em hardware vai ter que encarar linguagens de baixo nível.” (Fonte: Jornal NH).
A necessidade de apoio dos sistemas Mainframe e linguagem Cobol continuam a ser críticos no quotidiano das organizações, pelo que acredito que estes sistemas legados continuarão a precisar de talentos que continuem a promover o efeito “lights on” nas organizações, fazendo com que as mais recentes aplicações e tecnologias tenham sucesso e possam integrar-se com as infraestruturas atuais existentes no mercado. Linguagens Mainframe continuam a ser responsáveis e necessárias para o correcto funcionamento organizacional e para o alcance de resultados de sucesso na empresa. Os que trabalham em sistemas distribuídos nas suas linguagens de alto nível chamam-nos de ‘Dinossauros’. Basta interiorizar essa designação pelo lado positivo, e fazer analogia com o animal em causa: será o medo que provocamos aos nossos pequenos répteis mutantes? Esses seres que nos provocam com as suas tecnologias voláteis sobreviverão mais que nós?”
Emiléne Gomes
Consultora da área de Legacy System da Mind Source

