Em análise esteve a forma como os pais assistem e percepcionam a utilização que os filhos fazem da Internet, avaliando não só os níveis de confiança neste meio de comunicação social, mas o tipo de conteúdos aos quais os mais novos acedem, e ainda o impacto que esses conteúdos interactivos neles têm.
É curioso quando percebemos que, depois de recolhidas as opiniões de mais de três mil pais com filhos entre os seis os 16 anos, se destaca a preocupação crescente com o nível de influência que o meio digital tem nos seus filhos. Em concreto, os media digitais e os efeitos que podem ter nas crianças.
Mais curioso ainda é concluir que, apesar de a maioria reconhecer a importância que a Internet tem nos dias de hoje (enquanto ferramenta fundamental para o desenvolvimento infantil, gerando novos desafios e oportunidades), reconhecem também que é um meio com crescente influência, que já supera a televisão. Contudo, muitos acreditam que os media tradicionais continuam a merecer maior atenção das crianças, ainda que defendam que o digital acabe por ser mais persuasivo nas estratégias de marketing usadas.
Este estudo de âmbito europeu e que a APAN decidiu integrar com o propósito de conhecer a realidade portuguesa, mostra que os pais assumem claramente o seu papel enquanto agentes responsáveis pela utilização da Internet pelos filhos.
Reconhecendo a influência, o impacto e os níveis de persuasão que podem estar implícitos numa campanha de marketing ou de publicidade digital, os pais assumem essa responsabilidade, de controlo e de monitorização dos conteúdos e também no que respeita ao tempo dispensado. Desta forma, actuam também com vista a evitar a exposição das crianças a influências menos positivas.
No que toca aos anunciantes, os pais são, naturalmente, exigentes, procurando que a indústria assuma um posicionamento responsável. Aqui, a aposta dos anunciantes pode ganhar muita relevância, ao conseguirem consolidar os níveis de confiança dos pais nas suas marcas.
Assim sendo, o estudo do RAC aponta para o papel determinante da literacia mediática. A literacia mediática tem sido, é, e continuará a ser um tema predominante no seio dos anunciantes. E é por isto que a APAN tem continuamente trabalhado no e para o desenvolvimento do Media Smart em Portugal.
A APAN está convicta de que a implementação bem sucedida do programa no nosso país tem contribuído para uma maior confiança dos pais e, mais do que isso, para uma maior preparação das crianças para lidarem com os media, digitais ou tradicionais.
Este estudo dá-nos conta de pais preocupados, que atribuem aos anunciantes e às empresas a responsabilidade de assumirem um equilíbrio na sua comunicação, o que reforça a importância da auto-regulação na comunicação digital dirigida a crianças.
Por isso mesmo, a APAN está já a trabalhar no sentido de desenvolver, no âmbito do programa Media Smart, um conjunto lições dirigidas a professores e crianças dos sete aos 11 anos, a serem colocadas no site do programa, sobre publicidade online.
Manuela Botelho
Secretária-geral da APAN
Fonte: Briefing | Nº7 | Março 2010

