Os portugueses que seduziram a Lacoste

João Gonçalo Silva e Luís Duarte, Space InvertersO nome inspira-se num jogo e também nas ambições de internacionalização assumidas desde o início do projeto. Em 2011, João Gonçalo Silva e Luís Duarte, lançaram a Space Inverters, uma empresa de design de ambientes, de “inspiração” marcadamente portuguesa e que conseguiu seduzir uma marca como a Lacoste, tendo já remodelado 38 lojas na Europa. Em entrevista ao Briefing explicam como é que querem “apenas ser melhores todos os dias”.

Briefing | Como é que nasceu o projeto Space Inverters?

João Gonçalo Silva | A Space Inverters nasce em 2011 da vontade de criarmos um empresa onde fosse possível termos um maior controle sobre o projeto, alicerçado nos conhecimentos adquiridos nas anteriores empresas por onde passamos. Sentimos que era o momento ideal para arriscar com total autonomia para decidir, até porque sempre entendemos que este era um projeto com capacidade de internacionalização. Acreditando nas nossas capacidades criativas, de gestão e organização de equipas, antecipámos o enquadramento económico dando valências específicas a equipas pequenas mas mais próximas do cliente.

Briefing | Qual a origem do nome e porque é que optaram pelo inglês?

Luis Duarte | Aparece como brincadeira baseado no jogo Space Invaders dos anos 70, que marcou a nossa geração, mas com a alteração para Inverters fez com que olhássemos para o nome com mais atenção. E inverter espaços acaba por estar sempre na nossa linha criativa, pois nem sempre o que a marca pede é o que realmente precisa. A opção pelo inglês surge também pela expectativa de internacionalização que sempre assumimos desde o início, e o inglês facilita nos mercados onde acabámos por entrar.

Briefing | Qual é a mais valia da empresa em relação ao que existe no mercado?

JGS | Provavelmente a nossa mais valia é acreditar e não perder energias em pensar que somos diferentes dos outros. Não queremos gritar mais alto. A nossa postura nunca foi essa. Queremos apenas ser melhores todos os dias.

Briefing | Como surgiu a oportunidade de trabalhar com a Lacoste?

LD | A nível nacional já trabalhávamos a marca, fazendo a aplicação de conceitos de loja desenvolvidos por Christophe Pillet. Surgiu, entretanto, a necessidade da Lacoste abrir uma loja outlet em Portugal. O mobiliário era desatualizado em termos de design e caro em termos de produção pelo que lançámos o desafio à marca de desenvolver um novo conceito para esta tipologia de lojas. O projeto foi apresentado e teve grande aceitação de imediato. Após validar este conceito em termos de design, com a consequente redução significativa de custos, a Lacoste acabou por adotar este conceito a nível mundial, o que nos abriu as portas da Lacoste Internacional onde, hoje em dia, temos uma presença constante e importante, ao estarmos envolvidos, juntamente com a equipa de Arquitetura e Design da marca, em projetos de grandes dimensões. Até à data, a Space Inverters já produziu e implementou na Europa cerca de 38 lojas Lacoste, sendo que o nosso conceito é implementado e produzido nos restantes países. Durante o ano de 2013 estivemos envolvidos na prototipagem e aconselhamento técnico para o novo mobiliário WS Standard das novas boutiques Lacoste. A partir de 2014, passámos a Corporate Suppliers no mercado EMEA para a produção e implementação do novo conceito de boutiques. Atualmente somos Technical Adviser e Corporate Suppliers num dos projetos mais importantes para a marca este ano, a nova boutique de Londres em Regent Street, com o conceito de premium shop.

Briefing | Qual a importância do design na comunicação de uma marca?

JGS | Tem toda a importância. No nosso campo de atuação, Design de Ambientes, o impacto dos ambientes criados é um suporte fundamental para a relação que as marcas criam com os seus consumidores. Um design deficiente pode acabar com uma marca. O caso da Lacoste ilustra muito bem esta relação entre design/consumidor. Os polos Lacoste sempre foram conhecidos pela sua qualidade mas, independentemente disso, a própria marca teve necessidade de renovar e melhorar o design para aperfeiçoar a comunicação, sendo hoje em dia, novamente, uma marca pujante e sexy. E aqui, o Filipe Oliveira Batista, atual Diretor Criativo da marca, teve um papel fundamental para este refresh da marca.

Briefing | Pode falar-se num “inspiração” portuguesa nos espaços concebidos pela Space Inverters?

LD | Pode falar-se de “inspiração” marcadamente portuguesa, não formal nem visual, mas sim do empenho e do risco que gostamos de correr. Defendemos a qualidade dos produtos, materiais e das empresas portuguesas.

hs@briefing.pt

 

Segunda-feira, 03 Março 2014 12:13


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