Nestes dias deu brado o concurso que a CP abriu para contratar uma agência de publicidade. Pedro Bidarra não leu o caderno de encargos todo (que admito ser longo) e fez as contas. Depois fez o que ele sabe fazer melhor: criatividade. Conclusão do criativo: a CP quer pagar menos ao Pedro Bidarra que o Pedro Bidarra paga à sua mulher-a-dias.
Vamos à parte do concurso que Pedro Bidarra não tinha que saber. O budget deste concurso é idêntico ao budget que a CP tinha em 2010. Ou seja, nos últimos três anos a economia retraiu 7%. E a CP manteve o seu budget. Nos últimos três anos as empresas públicas reduziram as suas despesas em 15%. E a CP manteve o seu budget.
Vamos à parte do caderno de encargos que Pedro Bidarra não leu. O concurso previa uma remuneração anual de 93 mil euros para a agência. São 93 mil euros anos. São 7750 euros por mês. São 352 euros por dia. São 44 euros por hora (12 euros por hora para a equipa pedida). Mais coisa…menos coisa.
A questão impõe-se: posso ser mulher-a-dias de Pedro Bidarra? É que se não consigo contratar Pedro Bidarra por 352 euros por dia talvez Pedro Bidarra, por muito menos, me possa contratar a mim.
Filipa Ribeiro – Diretora de Marketing da CP
PS: A CP é uma empresa pública. Gere recursos que objetivamente não lhe pertencem. Que pertencem aos portugueses. A todos os portugueses. E por isso, sim. Somos cuidadosos na contratação. Tentamos sempre fazer o melhor ao melhor preço. E quando alguém insinua avareza na contratação de serviços está a elogiar a nossa filosofia de gestão.
Fonte: Briefing

