Prémios Time Out Lisboa: “Temos maturidade e confiança para escolher os melhores”

Prémios Time Out Lisboa: Temos maturidade e confiança para escolher os melhores

“Precisámos de maturidade, precisámos de experiência e sobretudo precisámos daquela confiança que só se ganha com o sono”. É assim que João Cepeda, diretor da Time Out, justifica, ao Briefing, que a primeira edição dos prémios de cultura e lazer promovidos pela revista aconteça em 2012: “Podemos assumir a responsabilidade de escolher os melhores entre os melhores sem perder o sono”.

Em entrevista, a propósito dos prémios que são entregues amanhã, João Cepeda assume que, cinco anos depois do primeiro número, a Time Out se orgulha de ter mudado muitos lisboetas no sentido em que os ajudou a explorar a sua cidade:

Briefing | O que levou a Time Out a lançar agora esta iniciativa?
João Cepeda | Os cinco anos da revista. Apesar de a ideia dos prémios ser antiga, achámos que seria muito precipitado fazer a iniciativa nos primeiros anos de vida da Time Out, quando tudo soava a novo. Precisámos de maturidade, precisámos de experiência e sobretudo precisámos daquela confiança que só se ganha com o tempo. Hoje sim, com mais de 300 publicações na rua, sentimos isso. E podemos assumir a responsabilidade de escolher os melhores entre os melhores sem perder o sono.

Briefing | Quais os vossos objetivos?
JC | Todos as nossas iniciativas têm o mesmo objetivo: promover o trabalho de quem valoriza Lisboa, dar palco a quem tem talento e dar voz às grandes ideias. Os prémios são mais uma forma de fazer isso, com a pompa e circunstância de uma cerimónia, mas com a informalidade de sempre.

Briefing | Como chegaram aos nomeados?
JC | O método variou de categoria para categoria, porque algumas distinções exigiram visitas, outras precisaram da opinião de críticos anónimos (que não podiam fazer parte das discussões), etc, etc. Mas na maior parte dos casos fizemos o mesmo: constituímos um grupo de jornalistas e críticos dedicados à área em questão, pedimos que pensassem isoladamente nos seus eleitos, votassem em consciência, e depois tivessem a abertura para discutir as escolhas com os restantes membros do seu painel. No final, para beneficiar da experiência e do conhecimento da equipa da Time Out, ainda discutimos os empates e as decisões mais difíceis na redação.

Briefing | Um corvo é o troféu. Foi óbvia a escolha?
JC | Todos os símbolos de Lisboa seriam escolhas óbvias, mas ao mesmo tempo inevitáveis. O corvo, dentro desses símbolos, parece-nos o mais cómico. O que melhor expressa o lisboeta patusco.

Briefing | Porque dizem que o corvo revela o lado mais ousado da revista?
JC | O mais óbvio, creio, era não criar qualquer objeto associado ao prémio e viver por conta da notoriedade da marca e do logótipo que já toda a gente conhece. Dourar um corvo e dar-lhe um ar altivo, espécie de Óscar alfacinha, é uma forma de dizermos que, mesmo quando estamos a ser sérios, não queremos ser chatos.

Briefing | De que modo é que a Time Out promove, ela própria, a cultura e o lazer?
JC | O nosso maior trabalho de promoção está no trabalho semanal da revista, ao desafiar milhares de pessoas a explorar a cidade. Só isso (que é muito). Temos outros projetos, é verdade, onde nos constituímos como pequenos agentes de cultura e lazer – como acontece no novo Quiosque Time Out, ou no projeto do Mercado da Ribeira -, mas nunca perdemos de vista que a nossa missão primordial é ajudar a promover o trabalho dos outros.

Briefing | Diria que Lisboa é uma cidade diferente desde que existe a Time Out, no sentido em que a revista a tem revelado aos leitores?
JC | Diria que não. Uma revista não pode ter a presunção de mudar uma cidade. Prefiro acreditar que mudámos os lisboetas, ou pelo menos muitos lisboetas, porque graças ao que fizemos ficaram a saber mais sobre a sua cidade e a aproveitar muito mais aquilo que se passa à sua volta. Dou-me por muito feliz com esta conquista.

Fonte: Briefing

Segunda-feira, 17 Dezembro 2012 11:53


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