O grupo começou na área de impressão digital mas cresceu para as demais áreas da produção, trabalhando em estreita colaboração com as agências de publicidade e marketing. Com 2,5 milhões de euros faturados em 2011, espera conseguir este ano mais 40 por cento.
Em entrevista ao Briefing, Carlos Mendes fala deste percurso:
Briefing | Como é que uma empresa de origens regionais se expande à dimensão nacional, tendo, entre o portefólio de clientes, grandes empresas?
Carlos Mendes | Só é possível crescer em qualquer mercado com muito trabalho, dedicação e qualidade. Temos, desde o início da nossa atividade, procurado diferenciar-nos por oferecermos um serviço profissional e de muita qualidade, suportado num grande investimento em recursos humanos especializados e em tecnologia de ponta. É um caminho que se faz lentamente, mas, fieis a estes princípios, temos sido reconhecidos pelo mercado e as oportunidades têm surgido naturalmente.
Briefing | A impressão digital começou por ser o core da atividade do grupo. Ainda assim é? Que outras áreas foram sendo impulsionadas?
CM | A impressão digital representou o ano passado no nosso grupo sete por cento da faturação. Trata-se de uma área onde vamos continuar a apostar, e para a qual continua a haver muita procura, apesar de este ser um mercado muito competitivo e agressivo, onde existe todo o tipo de oferta. O crescimento dos serviços que disponibilizamos obrigou-nos a verticalizar as áreas de atuação, pelo que criámos duas empresas para além da Vinilconsta: a Touchconcept, vocacionada para a decoração de espaços e que desenvolve desde o design à produção de mobiliário, e a Engiconcept, cuja atividade está relacionada com tudo o que são acabamentos em obra. Além disso, criámos uma marca, a ILSConcept, para o nosso serviço integrado de corte por laser, quinagem e termo-lacagem. O leque de serviços que disponibilizamos abrange hoje em dia todo o tipo de serviços relacionados com a imagem corporativa das organizações. O ano passado, as áreas onde tivemos melhor performance foram as da decoração de espaços, reclamos luminosos, sinalética, mobiliário urbano, stands e revestimentos.
Briefing | Os vossos serviços são essencialmente dirigidos para a imagem corporativa das empresas. Qual o vosso contributo para essa mesma imagem?
CM | Quem investe em marketing procura essencialmente diferenciar-se. Tudo aquilo que fazemos é personalizado e feito sempre com o objetivo de chamar a atenção do público-alvo da marca em questão. Quer ao nível do design das nossas propostas, quer ao nível das soluções encontradas para a produção dos mais diversos elementos, procuramos sempre oferecer soluções inovadoras e que sejam uma novidade no mercado. Este aspeto reflete-se não só ao nível dos materiais propostos, como também das soluções técnicas a aplicar. Por esse motivo fazemos uma procura constante de novos materiais que procuramos incluir na nossa oferta. Por outro lado, as soluções que apresentamos incorporam cada vez mais tecnologia, seja através da iluminação – uma área que evoluiu muito e que é cada vez mais importante, seja através da utilização de novas tecnologias, como é o caso da sinalética digital.
Briefing | Há um input da vossa criatividade no desenvolvimento das peças de comunicação ou o vosso trabalho é essencialmente técnico, de concretização?
CM | O nosso contributo é a todos os níveis. O sucesso das agências é também o nosso sucesso. Mantemos sempre uma relação estreita com os nossos parceiros, procurando as melhores soluções para os desafios que estes nos apresentam. O facto de termos uma equipa muito experiente e polivalente permite avaliar rapidamente a exequibilidade das artes finais que as agências nos fazem chegar. O trabalho de consultoria que desenvolvemos com estas passa pela sugestão de alternativas em termos de design, utilização de materiais, soluções técnicas alternativas e construção de protótipos.
Briefing | Em que medida é que o vosso trabalho contribui para o sucesso da imagem corporativa dos vossos clientes?
CM | A área da produção tem sido desde sempre o parente pobre do marketing, pelo facto de ser a face menos visível no processo de lançamento de uma marca, de um produto, ou de uma campanha, embora seja determinante para o seu sucesso. Não acreditamos que a visibilidade que esta tem no mercado se venha a alterar significativamente, mas, por se tratar de uma área cada vez mais profissionalizada e que cada vez recorre mais a tecnologia de ponta, é natural que o seu papel na apresentação de soluções inovadoras no mercado venha a ser cada vez mais reconhecido. Isto significa que, em lugar de sermos apenas solicitados na fase final da cadeia de valor do serviço, passaremos a dar com maior frequência o nosso contributo na fase inicial de conceção.
Briefing | Qual tem sido a evolução do mercado no sector em que o VC Group opera? Estamos a falar de um mercado concorrencial?
CM | Trata-se de um mercado altamente competitivo, onde há muita especialização e todo o tipo de oferta. No entanto, o facto de termos um serviço totalmente abrangente, que nos permite oferecer soluções chave na mão, tem servido como elemento diferenciador no mercado. Temos notado um aumento da procura de soluções chave na mão, que resulta principalmente do facto de as empresas estarem a reduzir as suas estruturas, em particular nos recursos humanos afetos à gestão da produção. Por outro lado, o nosso mercado é muito diverso, na medida em que a tecnologia que possuímos nos permite desenvolver trabalhos nos mais diversos materiais e soluções. Isso significa que temos oferta tanto para o cliente final, como para as agências de comunicação, como também ao nível das empresas de construção civil, ateliês de arquitetura e de design de interiores.
Briefing | Em que medida se tem feito sentir a crise na procura dos vossos serviços?
CM | O investimento em marketing em Portugal funciona em contraciclo. Quero com isto dizer que as empresas investem em imagem quando menos precisam, ou seja, quando estão a crescer, e em momentos de quebra na procura interna e em que precisavam de se evidenciar reduzem o seu investimento. Não temos sentido uma quebra ao nível da procura. O primeiro trimestre deste ano foi idêntico quando comparado com o período homólogo de 2011. Aquilo que se nota é um grande dilatamento do processo de tomada de decisão, que se arrasta muitíssimo, bem como os prazos médios de pagamento. O facto de termos um leque de serviços tão grande pode estar a contribuir para que não sintamos tanto o efeito da crise, aliado a um grande esforço comercial com o objetivo de alargar a nossa base de clientes.
Briefing | Qual o valor da faturação em 2011 e que expectativas têm para 2012?
CM | O grupo faturou em 2011 2,5 milhões de euros. As nossas expectativas para este ano, e que incluem previsões do mercado externo, apontam para um crescimento na ordem dos 40 por cento.
Briefing | A internacionalização é uma aposta recente. Para que mercados e porquê?
CM | A aposta na internacionalização resulta da falta de confiança que se criou no mercado nacional com a crise financeira e económica, associada à ideia de que, se queremos continuar a crescer, temos de começar a exportar. Os mercados onde estamos a apostar são mercados onde detetámos que existe espaço para a nossa oferta e podemos ser competitivos, por um lado, e por outro onde há perspetivas de crescimento económico nos próximos anos. Estou a referir-me a Angola e Cabo Verde numa primeira fase, e onde já temos escritórios desde o final do ano passado, e numa segunda fase Brasil e Moçambique. Espanha está também no nosso horizonte, mas aqui por motivos de proximidade geográfica.
Fonte. Briefing
