“A ideia original foi fazer uma revista que passasse a fazer parte de uma tradição de revistas hispano-portuguesas que houve durante todo o século XX e em que colaborassem espanhóis, portugueses e também escritores de outros partes”, disse à Lusa o escritor Antonio Sáez Delgado, diretor da “Suroeste”.
Almada Negreiros, que dirigiu na década de 1930 a revista “Sudoeste”, foi o modelo inspirador, referiu Sáez Delgado.
“O que pretendemos é estabelecer um diálogo entre as diferentes literaturas da Península Ibérica”, frisou Sáez Delgado.
O escritor acrescentou que a “Suroeste”, com periodicidade anual, “é a herdeira da revista Espaço Crítico que existiu na Extremadura na década de 1980”.
“Suroeste” é editada em Badajoz pela Consejería de Cultura y Turismo da Junta da Extremadura e pela Diputación de Badajoz.
Todos os artigos publicados são inéditos e os colaboradores escolhidos pelos conselhos editorial e de redação.
Destes conselhos fazem parte Miguel Ángel Lama, João de Melo, Eduardo Pitta, Antonio Franco Domínguez e Javier Rodríguez Marcos, entre outros.
A primeira reunião é realizada no primeiro trimestre do ano, os diferentes autores são convidados ao longo do primeiro semestre e a 15 de setembro todos os originais devem ser entregues.
A revista inclui ainda “uma montra dos títulos editados em cada país a partir do olhar dos críticos literários”.
Neste primeiro número, em jeito de balanço, do lado português, entre outras, são propostas as leituras da reedição de “Viagens na Minha terra”, de Almeida Garrett, com a chancela da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, “A Arte de Morrer Longe”, de Mário de Carvalho, e “Adoecer”, de Hélia Correia.
A revista inaugural integra entre outras, as participações de Teolinda Gersão, Mário de Carvalho, César Antonio Molina, Gonçalo M. Tavares, Steffen Codesal, Possidónio Cachapa e Xuan Bello.
No total colaboram 25 autores, com colaborações em prosa, poesia e ilustração.
Luís Miguel Gaspar reedita neste volume “as ilustrações saídas há 30 anos na revista Colóquio/Letras” a propósito de um artigo sobre Almada Negreiros, intitulado “Litoral”.
Outros poetas portugueses motivam artigos, casos de David Mourão-Ferreira, Fernando Pessoa e Antero de Quental.
Joana Morais Varela escreve sobre Mourão-Ferreira “à luz do tradutor e do divulgador”, enquanto Steffen Dix procura um paralelo entre Miguel Unamundo e Quental sob o título, “A indecisão trágica entre religião e racionalidade”.
“Fernando Pessoa e Ivan Nogales: Claves simbólicas, literarias e ibéricas de um encuentro”, é o título do artigo de Pablo Javier Pérez López.
Na área de prosa, “As Carpas” é o título do texto de Possidónio Cachapa, enquanto “A Queda” é o título do de Gonçalo M. Tavares.
“Diccionario muy incompleto de escritores homicidas, con un apêndice sobre un escritor asesinado” é o título do texto de Félix Romero, o título do de Juan Antonio Iglésias é “Cinco avisos de Horacio”.
A revista é apresentada na sexta-feira às 10:30 na delegação da Junta da Extremadura, no Restelo, em Lisboa, com a presença de Eduardo Pitta, Antonio Sáez Delgado e do diretor-geral de Promoção Cultural da Junta da Extremadura, Javier Alonso de la Torre.
No mesmo dia mas às 18:30 é feita outra apresentação na Livraria Assírio & Alvim, no Pátio do Siza, à rua Garrett.
NL.
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