O Público confirmou hoje a notícia que avancei aqui no Briefing sobre a instalação de uma paywall, limitando o número de artigos gratuitos a 20 por mês. É mais um passo na busca pelo equilíbrio financeiro do título, cujas contas continuam a não bater certo ao fim do ano. Mas o problema é incontornável: o Público não está a cobrar para pagar o custo da edição online, está a cobrar para pagar o imenso custo de uma redação montada para a edição em papel. Com esta ação acaba de se abrir uma enorme espaço no cenário mediático português, para órgãos de comunicação social exclusivamente digitais, credíveis e gratuitos. Não deve faltar muito para que este espaço seja preenchido.
O Público foi conservador ao definir o limite nos 20 artigos, e assim o número de utilizadores atingidos deverá ser limitado. Mas, ao mesmo tempo, é o tráfego de qualidade que sofre – são os leitores fiéis, que recorrem primordialmente ao Público como veículo informativo, que serão obrigados a pagar ou a recorrer a outras fontes de informação. Ora esses leitores, se não se tornarem assinantes, perderão gradualmente o interesse em ir ao Público – e o custo desse tráfego perdido multiplica-se pela ausência de comentários, pela redução de partilhas nas redes sociais e pelo correspondente aumento de tráfego noutros órgãos de comunicação. Reduzindo tráfego reduz-se a receita publicitária digital, que o Público decidiu desvalorizar com esta ação em troca de um aumento.
A aposta do Público tem sido no valor da sua produção noticiosa, pelo que agora julga merecer que os leitores paguem para aceder a ela. O resultado da equação está por provar – e só um investimento maciço na qualidade do jornalismo digital que o Público produz poderá resolver a questão. É que agora a pergunta não é se cada um de nós vai ler 20 artigos por mês no Público. A pergunta certa é se o Público tem 21 artigos por mês que não se encontram em mais lado nenhum – seja pela abordagem, pelo caráter exclusivo ou pelo fator multimédia. É a essa pergunta que os leitores vão responder, assinando ou abandonando o site em troca de outros que disputem o mesmo espaço.

A limitação de acesso ao Público online acaba de abrir espaço para novos títulos na comunicação social nacional, e esta pode muito bem ser a novidade mediática de 2014.