Segundo o mesmo responsável, que viveu um ano nos EUA, o objetivo é “mudar o paradigma das apps: fugir do conceito de app gratuita ou app paga. Queríamos uma aplicação que pagasse às pessoas para a usarem, criando valor para uma contraparte. E assim focamos na vertente dos estudos de mercado com foco nos clientes mistério”.
Briefing | O que é a StoreAgent e como funciona?
Nuno Freitas | O StoreAgent é uma plataforma de crowdsourcing que permite às empresas desenvolver os seus estudos de mercado, e aos agentes receber dinheiro por fornecer informação às empresas e marcas.
Por um lado temos o website que conta com a plataforma para a empresa, onde estas podem de forma simples e intuitiva criar as análises que pretendem desenvolver e onde poderão consultar os resultados em tempo real e de forma muito clara, com um interface gráfico que apoia a uma fácil tomada de decisão em relação a aspetos críticos do mercado e negócio.
Por outro lado temos a aplicação móvel para iOS (iPhone, iPad ou iPod Touch) e Android, que vai permitir aos agentes executar as missões de forma eficaz e fiável. Basicamente o cliente cria uma missão de análise, esta missão é enviada diretamente para os agentes mais próximos do local em causa e que estão dentro do perfil pretendido, que ao completar a missão faz com que os dados cheguem diretamente ao backoffice do cliente. A validação da veracidade das informações é uma das grandes vantagens da app. Começamos por analisar como funcionava o processo tradicional e chegamos à conclusão que muitas vezes não existe qualquer garantida de que o cliente mistério foi ao local em causa. Assim, com a tecnologia disponível, validamos por georeferenciação e timestamp o local e a hora, sendo que se não estiverem no local de análise, as respostas submetidas não serão aceites. Para além disso temos implementada a validação por código de barras e qr code para análises de produto. Também sentimos que no processo tradicional a vertente instrucional de como levar as missões era muito reduzida, pelo que decidimos criar a possibilidade de adicionar às instruções de missão por texto, as instruções em áudio e vídeo para uma melhor execução da mesma. Além disso toda a plataforma é sustentada por um registo baseada na conta Facebook do utilizador e com validação de documento legais como o cartão de cidadão e o NIF, o que nos permite não só validar a pessoa que faz a análise, mas também conhecer melhor o perfil do avaliador, o que vai no futuro permitir uma microsegmentação. Assim, conseguimos grandes vantagens são ao nível do custo, tempo, validade da análise, gestão dos dados recolhidos e a remuneração do agente. O custo da nossa solução vai estar entre os 5 e os 25 Euros, o que representa uma redução que pode chegar aos 90% em relação às análises tradicionais, permitindo gastar menos budget ou conseguir uma maior amostragem na análise. A remuneração do agente que no método tradicional representa de 5% a 15% do valor pago pelo cliente no nosso caso será de 50%, ou seja, o agente ganha entre 2,5€ e 12,5€ por missão. No tempo, passamos de 3 a 6 semanas entre o início de uma análise até à receção dos resultados para 2 a 12 horas, com os dados a chegarem ao backoffice do cliente em streaming. Na gestão dos dados, dedicamo-nos a implementar uma plataforma com um forte componente gráfica que permite facilmente ler os dados recolhidos e que permite fazer análise temporal em relação a dois pontos no tempo de análise da mesma pergunta ou eixo. Desta forma podemos medir impacto de campanhas ou medidas corretivas.
Briefing | Como é que nasceu a ideia de desenvolver esta aplicação?
NF | O StoreAgent nasceu no departamento de Aplicações Móveis que criamos há 2 anos na Sketchpixel e que agora deu origem à MEZZOLab, uma spinoff das empresas dedicada a Mobile & Social Apps, sendo que a ideia surgiu da combinação da forma como pensamos as aplicações móveis na MezzoLab, combinada com o background que tenho na área de Marketing Research.
Num mercado sobrelotado de aplicações, procuramos ideias diferentes de tudo o que existe e procuramos usar a tecnologia para resolver problemas ou necessidades do dia-a-dia, das pessoas, das empresas ou das marcas
Com o Store Agent queríamos mudar o paradigma das apps: fugir do conceito de app gratuita ou app paga. Queríamos uma aplicação que pagasse às pessoas para a usarem, criando valor para uma contraparte. E assim focamos na vertente dos estudos de mercado com foco nos clientes mistério. Avaliamos o que existia e sentíamos que a integração de tecnologia nesse processo era ainda baixa.
Decidimos criam uma plataforma que combina um software dedicado às equipas de marketing que pretendem lançar análises no ponto de venda como são os clientes mistério, com uma aplicação móvel disponível para iPhone e Android que vai fazer a ligação direta aos “agentes” que vão poder completar as “missões” de cliente mistério.
Com este hub, pretendemos integrar tecnologia para tornar mais eficaz uma atividade feita de uma forma ainda tradicional, sendo que esta é apenas uma das aplicações que vão surgir nos próximos meses com este posicionamento, estando para breve um novas aplicações que apostam na peer2peer economy.
Briefing | Como é que tem feito a promoção do projecto?
NF | O projeto está no arranque, sendo que estamos a conduzir a nossa fase Beta recorrendo significativamente às redes sociais e base de dados de beta-testers, onde já contamos com mais de 600 pessoas. Também apostamos na criação de missões de teste que são pagas, ainda que a um valor mais baixo do que serão pagas as missões reais, de forma a motivar mais utilizadores a recorrerem à aplicação. Assim, decidimos dedicar 8.000 Euros para missões de teste, no total de 4000 missões divididas em várias fases, de forma a demonstrar o potencial do StoreAgent para os utilizadores. Dentro de 2 semanas concluímos a fase Beta, sendo que estamos neste momento a contactar empresas que estejam interessadas em usar a nossa tecnologia para as suas análises, quer para clientes mistério, quer para análises de stocks, preços e posição no linear de preço de vendas ou validação de campanhas promocionais. Estamos também a preparar um ciclo de conferências em universidades e eventos para divulgar a plataforma.
Briefing | Qual tem sido a receção à aplicação?
NF | Temos tido feedback excelente. Temos algumas grandes empresas a quem apresentamos o projeto quando ele ainda era uma ideia que se demonstraram logo disponíveis para recorrer ao StoreAgent para as suas análises de mercado e sentimos que para as empresas vai mudar o paradigma: Até hoje as análises são caras, demoradas e complexas; com uma solução mais económica, com resultados rápidos e com total controlo, as decisões para as empresas vão poder ser muito mais eficazes e vai ser possível implementar e corrigir mais rapidamente ações sobre o mercado. Temos também tido feedback de empresas no mercado externo, mais concretamente em França, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, o que nos demonstra que apesar da aplicação ainda não estar disponível nesses mercados, terá grande viabilidade no mercado externo.
Temos ainda recebido manifestações de interesse por parte de investidores, que poderão acelerar o processo de internacionalização.
Briefing | Que influência é que o ano que viveu nos EUA teve na sua carreira de empreendedor em Portugal?
NF | Essa vivência tornou-me uma pessoa mais prática e proactiva, com um grande foco nos resultados, e não quaisquer resultados, mas sim uma forte preocupação com inovar e solucionar necessidades e problemas reais de uma forma criativa, integrando sempre que viável diferentes tecnologias. Também me tornou insatisfeito e a aceitar o falhar como parte de um processo de criação, com uma grande preocupação de manter os custos de falhar baixos. Existe muito espaço para inovação no nosso país e temos capacidades de criar produtos e tecnologias com repercussão à escala mundial, não podemos no entanto fazê-lo ao tentar dar resposta a uma necessidade que só existe cá ou desenhando um projeto com base no mercado interno. Devemos elevar o grau de exigência dos nossos projetos ao nível global e desenha-los a pensar como poderiam funcionar em mercados fortemente competitivos como o americano.
Fonte: Briefing

