World Press Photo e as decisões “corajosas” do júri em exposição em Lisboa

Lisboa, 28 abr (Lusa) – A atribuição do grande prémio World Press Photo a um retrato de uma mulher afegã mutilada no nariz foi “uma decisão muito corajosa” do júri e quebrou tradições, disse hoje à Lusa Paul Ruseler, da organização do prémio.

Antecipando a inauguração da exposição anual World Press Photo, na sexta-feira, no Museu da Eletricidade, em Lisboa, o comissário da mostra, Paul Ruseler, explicou que foi a primeira vez na história dos prémios que o galardão máximo foi atribuído a um retrato.

Em causa está uma fotografia feita no ano passado no Afeganistão pela repórter sul-africana Jodi Bibier a uma jovem mulher afegã a quem o marido cortou o nariz e as orelhas por uma questão de honra.

A fotografia, que fez a capa da revista Time, valeu a Jodi Bibier o prémio máximo do concurso internacional World Press Photo e estará exposta em Lisboa.

“Foi uma escolha muito corajosa do júri, porque é uma fotografia muito diferente e quebra com a tradição [do World Press Photo] que habitualmente representa o assunto que dominou o ano. E este é um assunto maior, não é só de um ano, é atual”, disse Paul Ruseler.

A exposição que é inaugura na sexta-feira abrange um ano de acontecimentos captados pelas objetivas de vários repórteres fotográficos em todo o mundo, numa das mais “jornalísticas” edições recentes, admitiu o comissário.

Paul Ruseler sublinhou a presença de muitos repórteres que foram premiados por trabalhos feitos no próprio país, como aconteceu no Haiti, por causa do violento sismo de 2010, ou na Somália e na Indonésia.

No total, nesta edição do World Press Photo foram distinguidos 56 fotógrafos de 23 nacionalidades, escolhidos entre 5.847 participantes e com o número recorde de 108.059 fotografias a concurso.

Confrontos em Banguecoque, o sismo do Haiti, a erupção de um vulcão na Indonésia, as cheias na Tailândia, o caso Wikileaks, as mortes ocorridas na Lova Parade, em Berlim, e a sucessão do líder coreano Kim Jong Il foram assuntos dominantes para a objetiva dos repórteres e que podem ser recordados em Lisboa.

Entre as escolhas há ainda, por exemplo, uma menção especial para uma série de fotografias feitas pelos mineiros que ficaram retidos numa mina no Chile.

“Não são fotografias de um profissional, mas registam um momento e têm uma história que um repórter profissional não teria conseguido captar”, disse Paul Ruseler na visita à imprensa.

Há ainda um conjunto de imagens, de baixa resolução, retiradas por Michael Wolf, um não-profissional, das captações feitas pelo Google Street View com cidadãos anónimos em situações inusitadas.

Com a tecnologia a rodear-nos por todo o lado, Paul Ruseler defendeu que “é o olho do fotógrafo que decide qual é `A´ fotografia”.

“Há muitas pessoas que não estão treinadas como os fotógrafos e que deixam escapar o momento da fotografia. Mas há fotos que dão grandes histórias e podem relacionar-se com as pessoas de uma forma poderosa”, disse.

A exposição no Museu da Electricidade ficará patente até 22 de maio.

SS.

Lusa/fim

Quinta-feira, 28 Abril 2011 14:53


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