Como Alexandra Pereira (re)colocou a DDB no mapa das agências

O que leva Alexandra Pereira a dizer que 2017 deverá ser o melhor ano da DDB da última década? A estratégia de reposicionamento iniciada em 2012, quando assumiu a direção-geral da agência. A restruturação passou pela equipa e até pelos clientes. Houve, diz, “decisões difíceis”, mas os resultados mostram que foram acertadas: a DDB conquistou contas grandes e espera faturar mais 45% este ano.

 

Briefing | Assumiu a liderança da DDB em 2012. Que agência encontrou então?

Alexandra Pereira | Quando assumi a liderança da DDB, em 2012, encontrei uma agência que precisava sobretudo de se adequar à nova realidade de mercado, tanto ao nível das metodologias internas como às aplicadas junto dos clientes, como ao nível da equipa.

Quais foram as suas prioridades?

Em primeiro lugar, conhecer a agência, os clientes e a equipa. Havia que tomar decisões, idealmente de forma célere e foi isso que aconteceu. Reestruturámos a equipa, focámo-nos na fidelização de alguns clientes e tivemos de dispensar outros. Algumas decisões foram difíceis, mas tiveram que ser tomadas para dar um novo rumo à DDB.

Cinco anos depois, o que mudou?

Tudo ou quase tudo. A DDB é hoje uma agência saudável, em forte crescimento, com uma equipa motivada, ajustada ao mercado e sobretudo, com uma visão realista do que são os dias de hoje da comunicação em Portugal. Eficácia, eficiência e serviço ao cliente são as palavras de ordem na DDB. Não somos muitos grandes (ainda bem!) e, por isso, cada um de nós acrescenta efetivamente valor e deixa os egos de lado. Acredito que é isso que nos distingue no mercado da publicidade.

Ganharam clientes? Houve uma retoma do negócio?

Após o ano de reestruturação, apostámos num crescimento continuado, comedido e, sobretudo, estruturado, com foco na conquista de novos clientes e projetos. Em 4 anos o nosso volume de faturação cresceu mais de 110%. Ganhámos a UNILVER OLÁ, a PORMINHO, entre outros clientes. Este ano ganhámos a PRIO Energy e abrimos uma nova unidade de negócio, dedicada ao cliente SEAT – a C14torce. Também em 2017 desenvolvemos a campanha #DIZOLA, para a marca Olá da Unilever, uma das maiores campanhas multicanal do ano, feita estrategicamente para atingir o target millennial, onde envolvemos todos os portugueses a “dizer Olá às coisas boas da vida”.

Apesar de integrar uma multinacional, durante muito tempo, a agência esteve como que adormecida em Portugal. E hoje, qual é o posicionamento no mercado?

Hoje a DDB é uma agência que, apesar de pertencer a uma rede multinacional, tem uma estrutura com características de agência local – próxima dos clientes, acessível e flexível.

É uma agência que prima pela proximidade aos clientes e por um trabalho criativo focado no consumidor e no mercado. Assumidamente, não trabalhamos para prémios, sendo que acabam por ir aparecendo, mas não é, de forma alguma, o que nos move.

E o que oferece de diferenciador no panorama da indústria da publicidade?

Ainda há umas semanas, um cliente me perguntava se estivesse no lugar dele o que faria, que estratégia seguiria – é esta proximidade e a confiança que temos com os nossos clientes que nos distingue e que nos posiciona. Acima de tudo, estamos ao serviço das marcas e dos nossos clientes, sejam elas uma grande marca como Volkswagen, a Prio, a Seat ou Unilever ou outras de menor dimensão, que têm igualmente a nossa atenção e proximidade.

Como se tem ajustado a estes novos tempos, de orçamentos menores e do paradigma do digital?

Hoje as agências não têm um mês para trabalhar numa campanha, por vezes têm uma semana – a isto, chama-se otimização de recursos. Fazemos mais e melhor com menor alocação de recursos – os clientes e o mercado assim o exigem. E, confesso, não é necessariamente negativo, é uma questão de postura e de foco e de encontrar novas formas criativas de surpreender o cliente. Neste contexto, o digital acaba por ser um dos principais canais onde as marcas pretendem apostar. Mais do que uma simples ferramenta de comunicação, o digital é de facto uma ferramenta de negócio para a maioria das marcas e é assim que também o entendemos na DDB.

Qual a expetativa para este final de ano em termos de faturação?

Face ao ano passado, vamos crescer 45% em volume de faturação. Arrisco-me a dizer que 2017 será o melhor ano da DDB da última década.

E que expetativas para 2018?

O ano 2018 será, certamente, um ano de consolidação dos excelentes resultados alcançados em 2017. Vislumbra-se a esta distância a conquista de uma ou duas novas contas – vamos ver o que nos reserva o futuro próximo!

fs@briefing.pt

 

Segunda-feira, 11 Dezembro 2017 12:33


PUB