Cannes: os leões nacionais não impressionaram o Rui

Com oito leões para Portugal, o festival de publicidade Cannes Lions terminou com o melhor desempenho dos últimos cinco anos para as agências nacionais. Um desfecho que não impressiona o chairman e CCO da BBDO Portugal, Rui Silva, para quem estes resultados não são fruto de um contexto mais competitivo. E, se tivesse que estabelecer uma relação com a realidade nacional, considera que esta seria mais um “apesar de” do que um “graças a”.

Isto porque, na opinião de Rui Silva, a criatividade não está a mudar. “Infelizmente, não julgo que estes resultados sejam fruto de um movimento abrangente no mercado português, de estarmos imersos num contexto mais competitivo, acutilante ou estimulante”. E, até, se o CCO tivesse que estabelecer uma correlação entre os prémios e a realidade nacional, esta seria mais um “apesar de” do que um “graças a”.

Para esclarecer, o CCO relembra que a maioria dos leões ganhos por portugueses acontecem no estrangeiro. “Será por termos um grande histórico de promoção e retenção do mérito, do critério e da originalidade enquanto indústria?”, questiona. É que, para Rui Silva, o “sucesso” além-fronteiras dos criativos que imigraram não é um motivo de orgulho nacional, mas sim de “embaraço”. “O sucesso individual de cada um dos talentos que, por frustração ou necessidade, teve de emigrar para se cumprir, não nos enaltece enquanto mercado. Antes pelo contrário”.

Sobre o desempenho da BBDO no Cannes Lions, no qual arrecadou três “bronzes”, diz o CCO que estes “sabem a bom trabalho, que é uma das coisas que melhor sabe”. Na agência, já se esperava que o #smarteffect fosse candidato ao prémio. Depois do objetivo conseguido, quaisquer distinções satisfariam a equipa.

sb@briefing.pt

 

Terça-feira, 05 Julho 2016 11:26


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