O que espera José Soveral de 2016? A “desejada” retoma

Num exercício de antevisão à criatividade que se desenvolverá em 2016, José Soveral, diretor criativo da BUS, espera que esta seja mais divertida e inspiradora. E que “isso seja reflexo de uma dinâmica económica de crescimento e investimento das marcas na retoma” por todos desejada. 

Sabendo que muitas das tendências do ano passado evoluem dentro do novo, o diretor criativo da BUS arrisca algumas previsões para o mercado português:

Que marca se chega à frente?
A volatilidade do tempo que vivemos fez muitas marcas terem uma atitude contida e neutra. Porém, essa contenção pode ser contraproducente e torná-las, a prazo, pouco relevantes. A forma de reagirem é pró-ativa e através de boas opções criativas. As marcas ganham se assumirem uma posição assertiva face a um país de pessoas com o desejo e possibilidade de consumirem mais e melhor, no curto prazo, e a esperança de poderem ter mais certezas, no médio prazo.

Conteúdo
De uma forma geral em 2016, o conteúdo vai continuar a querer ser rei, seja em formatos de entretenimento, enredo de jogo ou criação de consciência sobre um assunto ou tema relevante. O produto vai ser um anexo ou extensão do conteúdo e o conteúdo vai ser um anexo ou extensão do produto. Isto feito com estratégia, que mais do que ser digital ou analógica, é cultural e faz da marca um agente pró-ativo junto dos consumidores.

Causas
As marcas continuam a precisar de redefinir a relação com o seu público, com mensagens e criatividade que as aproximem mais da “vida real”. Conteúdos com causas que salvem o mundo e o consumidor. O fact checking expresso das marcas sobre o que são e como são feitas vai ser mais forte. As pessoas dão mais crédito a marcas que levantam questões relevantes e lhes dão o poder de participar em mudanças positivas.

Heróis como nós
O desinteresse e a desconfiança face aos líderes tradicionais vai valorizar os heróis como nós, pessoas comuns que se destacam por fazerem singrar mudanças positivas nos seus círculos.

Ativismo em grupo
Por via do fenómeno migratório e da crescente cosmopolização do país, vão ressurgir as questões de origem cultural e a proliferação de micro tribos. A exploração e estimulação das movidas culturais de comunidades de fans ativistas é uma realidade em curso.

Advocacia interna
As organizações vão apostar mais na advocacia dos seus trabalhadores em prol das marcas. Para isso, vão investir mais em criatividade e conteúdos para canais internos.

Ainda o género
As questões do género, muito presentes em 2015, acontecem também em 2016, com particular atenção à ideia da mulher poderosa mas também da mulher decisiva e game changer. O espelho da diversidade do mundo LGBT atual vai, também, ter expressão certa nas opções criativas.

Publicidade sem glúten?
Podemos vir a ter mais criatividade sem glúten e assistir a uma “sanitização” forçada pelo síndrome alergénico que tem assolado o mundo e os lineares de supermercado.

Vídeo out of the box
O vídeo fora da TV já é mais visto pela faixa 12/24 anos. As plataformas digitais web, mobile e jogos vão cada vez mais quebrar a lógica dos 30 segundos. Conteúdos em formatos verticais adaptados a mobile, secundagens extremas, vídeos sem som, livestreaming, o regresso dos gif’s.

Gadjets
A obsessão com os gadgets vai continuar e, tal como no passado recente com os drones, a impressão 3d e o smartwatch, este ano já começou com os hoverboards, robots e cada vez mais objetos em casa ligados.

Do ecrã para o real
A tecnologia é tanta que o desafio é usá-la de forma criativamente relevante, conseguindo ir para além dos touch points e explorar os touch moments da marca. Se antes havia a preocupação de ligar todos os écrans, o desafio acrescido agora é de ligar esses écrans à experiência do mundo real – às “lojas” onde ainda a maioria da aquisição é feita.

Materializar dados
Um grande desafio para as marcas, é materializar num bom insight e num bom briefing o manancial abstrato de números e informação que os marketeers recolhem sobre o consumidor. O desafio criativo além da ideia, será aproveitar a media programática e as novas tecnologias de proximidade social, microgeográfica e física com os utilizadores, para veicular a mensagem e gerar experiências com conteúdos personalizados gratificantes. Manter isto simples é talvez um dos maiores desafios criativos para 2016.

sb@briefing.pt

 

Terça-feira, 19 Janeiro 2016 13:26


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