Briefing | Têm uma agência e um blogue, porquê agora um projeto editorial? Podem coexistir ou o blogue vai ter de acabar?
Sorais Martins e Sandra Marques Augusto | O blogue acabou e este projeto editorial é o nível seguinte para quem dedica a sua vida a escrever e sempre sonhou com isto, como é o nosso caso.
Briefing | E qual a ligação entre o Almanaque e a agência Colectivo 71.86?
SM/SMA | É a chamada “ligação direta”: o Almanaque é um produto do Colectivo 71.86. É o reflexo dos nossos interesses, expectativas e sonhos, sem colocar em causa tudo o resto que se faz nesta agência.
Briefing | Apresenta-se como um zine do Colectivo 71.86, isto significa que este espaço pretende ser uma “ponte” ao trabalho da agência?
SM/SMA | De certa forma, sim, é uma das pontes. Grande parte do nosso trabalho como agência passa pela gestão e criação de conteúdos, por isso o Almanaque é uma montra das nossas potencialidades.
Briefing | Mas quais os temas em que o Almanaque se vai focar?
SM/SMA | Acima de tudo interessa-nos escrever sobre coisas de que gostamos. Isto é ponto assente. Claro que esta é uma afirmação muito abrangente, já que se estende da cultura à beleza, do lifestyle ao design, dos prazeres da mesa à busca de novos conceitos editoriais e gráficos.
Briefing | E porquê a opção de fazer uma edição em português e inglês?
SM/SMA | Quando tínhamos o blogue, escrevíamos imenso sobre produtos, pessoas e marcas internacionais, artigos estes escritos apenas em português. Ora, as pessoas que faziam parte dessas nossas escolhas editoriais não tinham a possibilidade de ler o que escrevíamos sobre elas, a não ser que traduzíssemos e enviássemos por email. Quando pensámos em criar o Almanaque, esta foi desde logo uma opção que quisemos adotar. Este é mais um aspeto que prova a necessidade de o blogue subir de nível e tornar-se no Almanaque.
Briefing | O público-alvo do Almanaque já é seguidor de diversos blogues. Como pensam distinguir-se?
SM/SMA | Antes de mais, não encaramos o Almanaque como um blogue e esperamos que os nossos atuais e potenciais leitores também não. Um blogue tem determinadas características e as pessoas seguem-nos exatamente por isso, tem um cunho muito pessoal e íntimo, e é isso que cativa. O Almanaque, por seu lado, tem outras características que, esperamos nós, o distingam – sem quaisquer pretensões. O Almanaque tem um forte cunho pessoal, também, e uma veia editorial marcada: a seleção e curadoria dos conteúdos, tanto escritos como pictográficos; uma equipa de colaboradores pagos; a perceção de que o Almanaque é um bem cultural e, portanto, aberto a publicidade e a parcerias comerciais.
Briefing | Não correm o risco de ser mais um entre muitos?
SM/SMA | Sim corremos, mas acreditamos existir espaço para nós e para o Almanaque. Todos os sonhos acabam por cair num cliché e, no entanto, as pessoas continuam a querer realizá-los. O Almanaque é a concretização de um sonho nosso, como tal, vale a pena investir no risco.
Briefing | Em que medida o Almanaque pode ser um espaço atrativo para as marcas? E como pensam conquistá-las?
SM/SMA | O Almanaque tem uma veia editorial a pulsar, pelo que acreditamos ser a principal mais-valia no que diz respeito a parcerias comerciais. Na génese do esqueleto deste zine está também pensado um plano de marketing, e a prová-lo está o Boletim, que é o satélite do Almanaque. Ou seja, é uma newsletter de conteúdos exclusivos que complementa o trabalho desenvolvido no Almanaque e no Colectivo 71.86.
Briefing | É um projeto apenas para o online? Ou o Almanaque pode “saltar” para o papel?
SM/SMA | Isso agora… é segredo!
Briefing | Quais os objetivos que pretendem atingir?
SM/SMA | Tudo aquilo que seja possível de atingir. A nível tangível, leitores, mais e melhores conteúdos, mais colaboradores e parceiros comerciais. Acima de tudo, esperamos ter reconhecimento, afirmação e sucesso.


É assim que Soraia Martins (à esquerda) e Sandra Marques Augusto (à direita) definem o novo projeto – Almanaque. Dizem que é o reflexo do Colectivo 71.86, agência da qual são fundadoras, e uma montra das potencialidades de ambas. Acreditam que o cunho pessoal e a veia editorial presente é uma mais-valia para parcerias comerciais.