A viagem foi boa

“Novos caminhos. Boa viagem” era o lema da edição deste ano do festival do Clube de Criativos de Portugal (CCP). E, a crer no balanço do presidente do clube, Pedro Pires, a viagem foi boa. E novos caminhos foram apontados: um deles o da vitória da ideia sobre a disciplina técnica, outro o da ambição internacional dos projetos.

Este ano, no festival que terminou sábado com a entrega dos prémios, houve um decréscimo da quantidade de trabalhos inscritos mas apenas residual. Já o número de shortlists e de prémios atribuídos sofreu uma queda maior, na ordem dos 14%.

Não é que a qualidade fosse menor – “Creio que não podemos apontar grandes diferenças” face ao ano passado, diz Pedro. O que mudou foi o critério dos jurados, “mais apertado este ano”. Talvez o facto de, de um ano para o outro, “não existir nenhuma grande novidade tenha pesado um pouco”. Além de que “o ambiente geral é ainda relativamente deprimido e, embora existam projetos de grande qualidade, em períodos desta natureza a excelência criativa sofre sempre”.

O presidente do CCP faz um balanço positivo da semana. Mais das exposições: a inauguração teve forte adesão, venderam-se muito mais peças do que no ano passado e receberam milhares de visitantes.

Já as conferências correram menos bem. “Este é um dos aspetos a rever para o ano, especialmente ao nível dos horários a que elas se realizam. Embora o conteúdo e os nomes fossem apelativos, o fator inércia parece ter aqui um peso maior”, reconhece.

No final, cumpriu-se o objetivo: apontaram-se novos caminhos e fez-se uma boa viagem. Um dos caminhos evidentes foi o da internacionalização, com cada vez mais projetos de ambição internacional. Outro – que estava subjacente ao conceito do festival – o da vitória da ideia sobre a disciplina técnica, o que “indica uma lógica de projeto cada vez mais transversal e multidisciplinar”.

“O grande prémio deste ano é uma grande prova disso, pois é a ideia que vale e todos os meios estão ao serviço dessa vontade inicial”, frisa.

Além do mais, Pedro Pires não tem dúvidas de que saiu reforçado o papel do CCP como o agregador da classe criativa nacional: “Ficou também patente o poder de produção e de mobilização que o CCP tem hoje e que só poderá manter se mantiver uma política de colaboração, abertura e disponibilidade e acima de tudo uma grande vontade de dar o palco a quem o merece. Ficam também as indicações para continuarmos as mudanças ao nível da organização de júris e regulamento e o aprofundamento da plataforma de votações e da presença digital do CCP”.

fs@briefing.pt

Quinta-feira, 22 Maio 2014 10:43


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