De Angola para o mundo

O grupo angolano Executive quer transformar-se numa “network angolana internacional” e já tem negócios em vários países de expressão portuguesa. Em entrevista ao Briefing Angola, Nuno Fernandes, presidente do conselho executivo do grupo, afirma que este ano as prioridades são a agência de publicidade, a publicação de novos títulos na área das revistas e uma aposta na formação através da Academia Executive.

Briefing | O que é hoje o Grupo Executive?

Nuno Fernandes | Nós somos um desafio com 20 anos. Um grupo angolano de comunicação, atento às necessidades do país nessa matéria. O Grupo Executive é constituído por quatro empresas subsidiárias e uma participada: temos a Executive Agência de Publicidade, que assumiu já o seu lugar no mercado e que é vista e percebida como uma entidade competente e séria; a Edicenter, que detém as três publicações do grupo e que está agora a lançar no mercado o seu terceiro título com a Rotas & Sabores – os outros dois títulos são a Austral, revista de bordo da TAAG, cuja criação e produção de conteúdos é totalmente realizada pela Edicenter, e a revista Economia & Mercado, que teve início há 14 anos e que é uma publicação angolana de raiz sobre a economia de Angola e virada para Angola. É a publicação/ revista mais lida do país, facto afirmado por auditores oficiais de comunicação nos seus relatórios. A Edicenter é também responsável pela publicação de vários livros, que marcaram o país pela sua qualidade temática, pela sua apresentação gráfica e pela sua importância. Outra das empresas subsidiárias é a IONA – Comunicação e Marketing, no mercado português há 13 anos, que trabalha muito para nós e que poderá vir a assumir a marca Executive Portugal ainda este ano.

Detemos também a Executive Moçambique, que está a dar os primeiros passos mas que já tem um volume de trabalho muito interessante sobretudo com clientes da Executive Angola que connosco foram para aquele país. Finalmente, temos a Espaços, empresa participada, que é uma referência nacional no mercado de media exterior – com grande destaque nos outdoors de rua e nos aeroportos – e que marca já presença não só em Angola, mas também em Moçambique, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe. Estamos, no fundo, a fazer e trabalhar para que a Executive se transforme numa network angolana internacional.

Briefing | Qual é o seu posicionamento no sector da comunicação social em Angola?

NF | Como disse anteriormente, nós somos um grupo com 20 anos, que exercemos a comunicação num sentido transversal, reconhecido como um grupo competente, sério e eficaz, sempre atento às necessidades dos nossos clientes. Temos e seguimos um código de conduta e de ética muito rigoroso, do qual não abdicamos, e que se baseia, sobretudo, no trabalho de equipa sem egos pessoais. Este é um dos pilares básicos da atuação do Grupo Executive, que consideramos ser o correto. Além disso, o que nos move é fazermos bem as coisas e, quando isto acontece, os clientes estão connosco e o mercado está também connosco. A nossa fórmula é apenas o trabalho com competência.

Briefing | Que áreas de negócio é que pretende reforçar e/ ou desenvolver em 2014?

NF | Uma das áreas que queremos e vamos reforçar é a da Agência, impulsionando a criatividade e o atendimento aos nossos clientes. Durante este ano, vamos também dar uma atenção muito especial à Edicenter. Nós publicámos agora um novo título, a Rotas & Sabores, mas provavelmente este ano poderá haver espaço para mais um ou dois títulos. Estão ainda a ser projetados, pelo que não gostaria de desenvolver muito para já. Temos também como objetivo para este ano uma clara aposta na área das Novas Tecnologias, nomeadamente no desenvolvimento de new media e ainda nas áreas da Comunicação Institucional, Relações Públicas e Eventos. Outro dos nossos pilares, e no qual apostaremos ainda mais este ano, é a formação dos nossos quadros, especialmente angolanos. Nós temos o conceito da Academia Executive, que pode ser entendida como uma entidade que faz um levantamento das necessidades específicas de cada quadro da nossa empresa no que diz respeito a possíveis carências formativas. Mediante os resultados, a Academia encarrega-se de tornar possíveis as ferramentas para melhorar as capacidades de educação/ formação das pessoas que trabalham no grupo. Este é um dos aspetos que está claramente definido na nossa estratégia para 2014, onde pretendemos apostar fortemente. Neste sentido, vamos ainda estabelecer relações interpares, nomeadamente com universidades angolanas, para conhecermos estudantes na área da Comunicação que estejam interessados em colaborar connosco e tornarem-se, até, futuros quadros nossos.

Briefing | Acaba de lançar mais uma revista – a Rotas & Sabores. Qual o seu objetivo? Há mais projetos deste tipo para lançar em 2014?

NF | A Rotas & Sabores é uma revista angolana, a primeira e única produzida no país, a dedicar-se exclusivamente ao Turismo. Ela resulta de um olhar da Edicenter e, consequentemente, do grupo Executive, sobre as necessidades que o país tem em matéria de publicações. Sentimos que o Turismo é hoje um sector com um potencial enorme em Angola, provavelmente um dos sectores que mais receita gerará para o nosso país nos próximos tempos. Uma revista dedicada ao Turismo, ao lazer e às viagens pode potenciar e estimular este sector por forma a que apareça no nosso PIB com um peso significativo.

A Rotas & Sabores é uma publicação bilingue, que se pretende de âmbito nacional e transnacional, que extravase as nossas fronteiras mas, ao mesmo tempo e sobretudo, que esteja atenta a todos os fatores de produção do turismo no nosso país. É uma publicação de iniciativa totalmente privada, que nós gostaríamos, contudo, que fosse uma parceira de todos os esforços nacionais – Governo e agentes variados – que estão nesta área do Turismo e que querem desenvolvê-la. Gostávamos de ter a pretensão poder ajudar a mudar o paradigma do Turismo em Angola, que o nosso país começasse a ser visto como um destino turístico apetecível e acessível a quem o quisesse visitar, quer por parte dos que já cá estão, quer por parte de quem venha do estrangeiro. Com o primeiro número já nas bancas, verificamos que é, de facto, uma revista muito apelativa, muito bem conseguida e que vai orgulhar todos os angolanos.

Briefing | Como antecipa a evolução do sector da comunicação e da publicidade em Angola?

NF | O sector da comunicação em Angola está absolutamente ligado ao desenvolvimento do país. O aumento dos investimentos levará, muito provavelmente, ao desenvolvimento deste sector. Todos os dados indicam que o país continuará a crescer acima dos 7%. Como tal, quero acreditar que o sector da comunicação e da publicidade estará indubitavelmente ligado a este crescimento. Estou seguro de que quem fizer e desenvolver um bom trabalho nesta área terá espaço para crescer e consolidar-se.

hs@briefing.pt

Quarta-feira, 05 Fevereiro 2014 09:59


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