Publicidade ou jornalismo?

Esta poderá ser a dúvida que os leitores do The New York Times online enfrentarão a partir da próxima quarta-feira, 8. O título prepara-se para lançar nesse dia o seu novo website, que introduzirá os “native ads”, ou seja, conteúdos sobre forma de artigos ou vídeos criados por publicitários.

A notícia é avançada pelo Financial Times, que refere que este tipo de promoção tem gerado controvérsia, uma vez que poderá tornar pouco clara a linha que separa os conteúdos editoriais dos publicitários. Estes “native ads” surgirão na homepage e em outras áreas do site.

A redação não irá estar envolvida na criação destes conteúdos e a editora garante que irá tomar medidas para alertar os leitores de que estes conteúdos são marketing e não jornalismo.

Isso inclui rotulá-los como “posts pagos” e destaca-los com uma barra de cor e um tipo de letra diferente.

Como referiu o Meredith Kopit Levien, vice-presidente executivo de Publicidade do jornal, ao Financial Times, a ideia é deixar os marketers contarem as suas histórias.

O novo website será lançado esta quarta-feira, mas o jornal ainda não divulgou todos os detalhes sobre a primeira campanha de publicidade “native”.

Com esta ação, os editores estão a tentar atrair investimento para a área digital, um meio que tem registado quedas ao nível da publicidade.

Com este tipo de anúncios, os editores e marketers estão a caminhar numa direção em que a fronteira entre publicidade e jornalismo se torna cada vez mais ténue. Os “native ads” têm atraído o escrutínio dos reguladores e até mesmo de alguns marketers, que se mostram preocupados que o público confunda artigos e vídeos de publicidade com jornalismo.

Esta é a forma dos editores de jornais tradicionais tentarem atrair novas verbas de publicidade, as quais caíram para mais de metade e que são cruciais para o funcionamento destes meios.

briefing@briefing.pt

Segunda-feira, 06 Janeiro 2014 10:55


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