A resiliência do papel

A resiliência do papel

“Os analfabetos do século 21 não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender”. Rafik Hacamo, fundador da Wcomm, cita Alvin Tofler, para atestar a capacidade de adaptação da agência que criou em 2002, então como World Communication. Uma empresa vocacionada para a impressão gráfica, mas que soube evoluir e incorporar o digital na sua oferta criativa.

No entanto, a Wcomm continua a propor-se conseguir o melhor aproveitamento do papel. Rafik é um defensor do papel, não alinhando com os “velhos do Restelo” que preconizam o fim deste suporte dito tradicional. “Considerava-se na década de 90 que, com a proliferação da internet, o setor gráfico estaria com os dias contados. A verdade é que se assistiu a um crescimento incrível nos anos seguintes, contra todas as expectativas”.

Reconhece, todavia, que “o digital cada vez mais absorve os budgets das grandes marcas”, mas a solução não está no abandono do suporte físico, antes na complementaridade entre ambos. Argumenta, em defesa desta tese, que “há determinados hábitos geracionais que passam e, por mais que se possa ler num dispositivo digital, continua no nosso ADN ter o suporte físico para ler, pois o contacto continua a ser muito importante”.

As pessoas – diz – continuam a retirar prazer de ler um livro ou uma revista, de sentir o toque do papel, o cheiro, a espessura. O que reforça o poder comunicacional do papel e a validade da sua mais-valia para as marcas. Em complementaridade com as múltiplas soluções e plataformas de comunicação que entretanto surgiram e através das quais as marcas estão presentes junto dos seus clientes. Há um reajustamento natural, mas “o papel continua a ter um papel importante”. Tanto mais que, a nível da produção gráfica, é possível inovar. É isso, aliás, que a Wcomm faz: “O nosso aproveitamento passa por também estar na vanguarda das soluções ao nível gráfico, mas também muito atentos à evolução que se assiste em todas as áreas”.

Foi precisamente esta atitude que conduziu a empresa a um processo de rebranding, que desembocou na criação do W Group. É – explica o fundador – “o culminar da maturidade de todas as áreas da Wcomm”. Wcomm, Way e Wind são as três novas identidades, sendo que cada uma destas marcas pode trabalhar com autonomia mas em articulação com as demais: “As sinergias de todas tornam-nos mais fortes, beneficiando claramente o cliente. Acreditamos que, deste modo, estão criadas as condições para continuarmos a crescer e a consolidar a nossa referência e identidade no mercado”.

Esta mudança – sublinha Rafik – foi motivada por uma visão a longo prazo: “Esta nova estratégia permite-nos estar preparados e posicionados para o futuro. Diversificação e sinergias especializadas são a nossa matriz”. O caminho já vinha, porém, a ser percorrido. Em onze anos, o mercado mudou, a agência também: “Houve claramente grandes mudanças e em muito contribuiu o nascimento das redes sociais, dos smartphones e dos tablets. A nossa capacidade de adaptação e crescimento tem sido inspiradora e motivante, pois há 11 anos a nossa dedicação tinha maior enfoque na prestação de serviços na área da impressão, onde o modelo de negócio se assemelhava a uma central de compras, e agora temos um grupo com soluções integradas desde a criatividade, impressão, montagem, até à entrega final. Já exportámos para Espanha, França, Inglaterra, Angola e Dubai. Isso só é possível graças a uma excelente equipa, a uma qualidade e disponibilidade acima da média, a um reinventar permanente e uma resiliência consciente”.

O modelo é agora o da integração: “Muitos dos nossos projetos têm um desenvolvimento criativo e depois a necessidade de implementação no terreno. Como é entusiasmante criar um conceito, lançá-lo em plataformas online, imprimir suportes para ponto de venda, produzir revistas, jornais, folhetos para distribuição DM ou D2D, entregar em qualquer parte do globo e, no fim, saber que todas as soluções saíram do mesmo espaço! É pura sinergia!”.

Rafik Hacamo acredita que este modelo de aquisição, criação e produção integradas é determinante nos dias de hoje, caracterizados pela cautela do ponto de vista financeiro mas também por necessidades de inovação e exigências que “continuam no limite”. “Temos uma equipa criativa de alta qualidade, equipamento de produção com tecnologia e qualidade de ponta, final destas sinergias permite ao cliente usufruir de uma oferta qualitativa com prazos muito exigentes a valores muito assertivos. Somos um catalisador de grande apoio às empresas com quem trabalhamos”.

Acabada de sair deste processo de renovação, a Wcomm promete continuar a oferecer “inovação, investimento, soluções personalizadas de apoio às marcas e essencialmente a consciência de ajustamento à nova realidade que Portugal, Europa e grande parte do mundo estão a atravessar”. Daí que – sublinha o seu fundador – o futuro passe “também por continuar a melhorar os níveis de eficiência, gestão financeira, que permitem ter a melhor qualidade de produto e serviço, com valores assertivos”.

A ambição também faz parte deste futuro, que poderá passar pelo lançamento de novas marcas ou aquisição de outras empresas, de modo a fortalecer a oferta global e a sustentar o crescimento do agora W Group.

BILHETE DE IDENTIDADE

World Communication

“Impressione-se” é o mote da Wcomm. E com duplo sentido. Rafik Hacamo explica porquê: “A nossa capacidade de impressão, no sentido de produção, é incrível. Temos um modelo que permite atingir níveis de produção muito atraentes, aliando à qualidade, prazos, preços, e serviço, logo, torna-se impressionante em certa medida a forma como conseguimos fazer”.

• Fundada em junho de 2002 como World Communication;

• Em 2009, passa a Wcomm;

• Em 2013, sofre um rebranding e reorganização – nasce o W Group, constituído pela Wcomm – Offset (plano e rotativo) e Digital (pequeno, médio e grande formato), pela Way (agência criativa) e pela Wind (aquisição de papel e matérias primas);

• Principais clientes: Decathlon, Leroy Merlin, Record, IURD, FNAC, Intermarché, Nobre, Vodafone, RTP;

• Equipa: Rafik Hacamo (fundador), Nuno Aurélio, Bruno Coelho, Bruno Cruz, Luís Martins, Julie Silva, Rita Correia, Ricardo Beleza, Daniel Gaspar, Joana Ribeiro,Joana Sousa, Luís Pires.

Fonte: Briefing

Terça-feira, 06 Agosto 2013 11:42


PUB