“Obstáculos à criatividade em tempo de crise são sobretudo mentais”

"Obstáculos à criatividade em tempo de crise são sobretudo mentais"

Quem o afirma é Jorge Teixeira, o novo presidente da direção do Clube de Criativos, que acaba de tomar posse. Uma maior ligação dos anunciantes faz parte dos seus propósitos, na convicção de que, nas palavras da vice-presidente, Susana Albuquerque, “sem criatividade não há marcas”.

Em entrevista ao Briefing, Jorge Teixeira (Excentric) e Susana Albuquerque (Lintas) falam das prioridades para este mandato:

Briefing | A nova direção tinha como prioridade uma maior aproximação ao mercado. Que lacuna foi identificada? E como tencionam concretizar esse objetivo?
Susana Albuquerque, vice-presidente do Clube de Criativos | Temos todos uma grande admiração pelo Clube, pelo que representa e pelo trabalho que tem feito. Só por isso nos candidatámos. Quando tomámos a decisão de fazer uma lista foi com o propósito de honrar o que tem sido feito até aqui, mas também nos perguntámos o que poderíamos trazer de novo. Encontrámos uma lacuna, que é o limite de iniciativas possíveis de pensar e executar por um grupo de seis pessoas a trabalhar em regime de voluntariado (mais uma a trabalhar a tempo inteiro). O objetivo é continuar o que foi feito mas alargar as iniciativas. Para isso encontrámos um modelo de direção para o clube em forma de polvo. A nova direção vai ser um corpo único com muitos braços multidisciplinares, os curadores especialistas. É dessa diversidade e dessa especialização dos curadores, juntamente com as nossas ideias, que contamos levar o clube a um lugar mais próximo do mercado da criatividade comercial, em todos os braços que ela usa agora.

Briefing | Uma maior ligação aos anunciantes também estava no programa. Isso significa que há distanciamento das marcas em relação ao trabalho criativo?
SA | Sem criatividade não existem marcas. O Clube deve fazer mais e melhor para honrar este princípio. Esse é um dos nossos grandes objetivos. Não há distanciamento das marcas em relação ao trabalho criativo, mas deve existir mais intervenção do clube junto dos anunciantes, criando momentos que provoquem o debate, que mostrem a relevância das ideias, que promovam a inovação e a valorização da criatividade.

Briefing | Um tema atual mas já recorrente diz respeito a importância da criatividade em tempo de crise. Qual a vossa posição? Tencionam promover algumas ações nesse âmbito?
Jorge Teixeira, presidente do Clube de Criativos | O Clube foi fundado com dois objetivos, que permanecem: premiar o que melhor se fez em determinado ano e ajudar a promover a criatividade em todos os momentos.
Em tempos de recessão económica, o recurso à criatividade enfrenta grandes obstáculos, a maioria deles mentais. Mas os bons criativos, os bons publicitários e os bons clientes sabem do efeito multiplicador da criatividade. Um investimento combinado com boa ideia resulta numa campanha mais eficaz do que uma menos criativa. O Clube irá desenvolver diversas iniciativas para a valorização da criatividade: seja nas escolas, nas empresas, na valorização do trabalho criativo das agências. Temos a certeza que o Clube só ganha estatuto, músculo, sócios… se for interventivo e ganhar relevância na sociedade e no mercado.

Briefing | E em relação à promoção do próprio clube, o que está nos vossos planos?
JT | O Clube de Criativos e os próprios criativos não são donos da criatividade nem a querem controlar! Muito pelo contrário: a criatividade deverá ser algo omnipresente e aparecer “descontroladamente” em todos os setores da sociedade.
Mas o Clube tem por missão promover a criatividade e, como tal, desenvolverá ações, umas de visibilidade, outras de formação, outras ainda no campo institucional para que a criatividade e os seus profissionais se desenvolvam em múltiplos setores.
Essas ações ainda não estão fechadas, mas posso já adiantar que, pela primeira vez, a atividade anual do Clube terá um mote, um tema umbrella que albergue cada um dos eventos a fazer nas escolas, nas empresas e para a sociedade.
Este tema ajudará também os curadores a formatar os seus projetos na respetiva área de atuação.

Briefing | Que relacionamento mantém o clube com as associações do sector?
JT | Este é o Clube de quem pensa  e trabalha (profissionais e estudantes) ideias criativas ao serviço de uma mensagem comercial. É absolutamente imperioso que tenhamos ótimas relações com as agências (APAP), anunciantes (APAN) e os nossos pares (ADCE, clubes  similares de língua lusófona), as instituições públicas e oficiais (Governo, câmaras, escolas e institutos públicos). Queremos merecer ser convidados a trabalhar com todos eles.

Fonte: Briefing

Quinta-feira, 25 Outubro 2012 11:38


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