E era tanta a esperança em que os seus resultados acabassem com a contestação da estação pública que SIC, TVI, ZON e MEO aceitaram que o auditor fosse mesmo aquele que tem um concorrente, a RTP, como um dos seus clientes mais importantes.
Afinal, veio agora a saber-se, pela voz do próprio auditor, a PwC, a auditoria não é uma auditoria.
“Os procedimentos” – escreve o auditor no seu “Relatório Preliminar de Conclusões Factuais” (aprendam a escolher nomes enfáticos, oh consultores de Comunicação…) – não constituem “nem uma auditoria nem um exame simplificado feitos de acordo com as normas técnicas e as diretrizes de revisão/auditoria da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas”.
E, porque não é uma auditoria – nem sequer um exame simplificado, seja lá o que isso for -, o auditor não está em condições de “expressar qualquer segurança sobre o sistema de audiências”, mas – acrescento eu – também não está em condições de garantir o seu contrário, isto é, que o sistema não dá garantias.
Assim, se o “Relatório Preliminar de Conclusões Factuais” da PwC não serve os interesses daqueles que consideram fundamental credibilizar a medição das audiências, sobretudo em ano de modéstia nos investimentos, também não serve para a RTP “arrasar o sistema”.
Serve apenas, diz ainda o auditor, para “informação da CAEM”, “não se destinando a ser usado para qualquer outra finalidade ou para ser distribuído a outras partes externas à CAEM”.
Na verdade, é uma conclusão factual definitiva minha, serviu para algo mais: serviu para uma iniciativa de Comunicação de perfil alto cujo objectivo foi conseguir dar mais uma machadada no sistema da CAEM.
O documento da PwC foi transformado num “press release” e, convenhamos, pagar 135 mil euros por um “press release” parece-me caro demais.
Seja como for, e parafraseando um destacado dirigente de uma empresa portuguesa de TV, a auditoria à audimetria “está ferida de morte”.
Luís Paixão Martins
Consultor de Comunicação


