Em entrevista ao Briefing, explica a razão de ser desta aposta e a estratégia da empresa para os próximos tempos. A internacionalização para mercados como a Líbia, Moçambique e a Índia está nos horizontes da empresa:
Briefing | O que levou a Portela Cafés a lançar-se no mercado das cápsulas?
Ângelo Pedro Marçal | Foram vários fatores. O primeiro, sem dúvida, o facto de querermos celebrar mais 35 anos. A cápsula veio revolucionar a forma de tomar café. A comodidade e a facilidade com que se tira um café são fatores incontornáveis para se preferir esta forma de apresentação em relação a outras.
Em segundo lugar, temos de referir as circunstâncias como mercado/clientes, que nos impulsionam para determinados caminhos. Os nossos clientes foram, sem dúvida, os principais impulsionadores para nos lançarmos neste desafio.
Enquanto PME, no mercado do café há 35 anos, em que diariamente nos visitam milhares de clientes, mantemos a nossa vontade de querer continuar a fazer parte dos pequenos grandes momentos em que se degusta um café de qualidade no conforto do lar. No fundo tratou-se de um alinhamento com a concorrência ao nível da oferta.
Temos consciência que não encetámos um caminho fácil, mas, se já ultrapassámos tantos desafios, iremos com certeza ultrapassar este também e, acima de tudo, há que saber aproveitar a potencialidade deste nicho de mercado.
Briefing | Este é um mercado já muito disputado. Há lugar para mais um player?
APM | É um “mercado de paladares”, onde cada produto se distingue do outro, por isso consideramos que existe espaço para mais um player. Será, no entanto, necessário saber gerir as expectativas (not to high… not to low… just flow… anyway, with energy and optimism).
Briefing | O que diferencia a oferta da Portela Cafés? A que público se dirige?
APM | A qualidade Portela Cafés é reconhecida em todos os produtos, e em particular no café, onde temos claramente uma oferta muito abrangente e de muita qualidade. Também nos diferenciamos pelo facto de termos apostado numa cápsula biodegradável, na disponibilização da cevada neste formato, algo único no mercado também, e em dois tipos chá (verde e camomila) de sabor distinto e qualidade inegável.
O nosso público é como dizemos: “As nossas lojas, no fundo, não são mais do que um ponto de encontro para pessoas, classes sociais e culturas diferentes. Elas desembarcam num espaço desinibido, único e igual para pessoas que apenas procuram uma coisa… saborear um bom café. As mesmas janelas, com vistas diferentes. Dos bairros tradicionais às cidades do novo século. A mesma paixão, o mesmo café, agora, disponível também em cápsula”.
Briefing | A Portela Cafés está presente apenas em pontos de venda próprios. Foi ou está a ser de alguma forma equacionada a possibilidade de avançar para a grande distribuição?
APM | Nesta primeira fase, três a seis meses, apenas servirmos os nossos clientes, através dos nossos pontos de venda (sete lojas) e online. Equacionamos a hipótese de a curto/médio prazo avançarmos para outras formas de distribuição, e até outras formas de parceria.
Briefing | A marca está presente apenas na região de Lisboa. Há planos para expansão?
APM | Para já não. Mas a haver expansão será certamente a nível internacional. Estamos a estudar mercados como a Líbia, Moçambique e Índia, pelo potencial que têm no mercado do café.
Briefing | Apesar de fundada em 1977, não é uma marca com grande visibilidade. Qual a estratégia de comunicação e marketing?
APM | A Portela Cafés é uma marca localmente muito reconhecida, sobretudo na zona oriental de Lisboa. A estratégia de marketing e comunicação da marca centra-se sobretudo no cliente habitual Portela Cafés, daí que a visibilidade para o exterior das lojas ainda seja reduzida. Temos clientes que nos acompanham desde o início, desde o avô ao neto. É uma marca com fortes ligações aos clientes e a aposta de comunicação vai precisamente nesse sentido com promoções e ações in-store. A par dessa ligação, temos como objetivo chegar a um número cada vez maior de clientes, por isso a estratégia também passou pela aposta nas cápsulas e na máquina.
Fonte: Briefing


