O projeto apresenta-se como “uma revista que visa promover novos talentos das artes nacionais, desde pintores a ilustradores, escritores, realizadores ou músicos, e refletir acerca de temas paralelos de cultura portuguesa”. A ressalva de que a “Salazar não tem qualquer ideologia política associada” e que, aliás, é a política o único tema do qual se abstêm, é deixada bem clara por Ricardo Costa.
Sem revelar o investimento financeiro (“há um inestimável investimento de tempo e dedicação”), Ricardo Costa refere que o break even point não será para breve, “infeliz, mas conscientemente”.
Indagado sobre quais os pontos fortes desta magazine, o editor destaca “os colaboradores que aceitaram participar no projeto”. “Temos de saudar a colaboração de figuras como o Pedro Mexia, Luís Filipe Cristóvão ou Vasco Barreto, com texto, ou a Mariana Baldaia ou a Vanessa Teodoro, com ilustração. A qualidade literária e gráfica da revista é outro dos fatores dos quais nos orgulhamos”, realça em entrevista ao Briefing.
Sendo impossível não fazer analogias com António Oliveira Salazar, quando indagado se têm aspirações a ser uma “ditadura” neste segmento, Ricardo Costa é claro: “Não queremos recuperar qualquer tipo de ditadura, mesmo sendo ela metafórica”. “O objetivo é claro e singelo: refletir com qualidade acerca de temas laterais da cultura portuguesa, sobretudo, e divulgar novos talentos das artes. O tríptico ‘Cultura, Artes e Ideias’ opõe-se, mais uma vez ironicamente, ao ‘Deus, Pátria e Família’, e esse arrojo não é mais do que uma motivação interna”, completa o responsável que tem a trabalhar permanentemente neste projeto mais quatro pessoas.
Ainda assim, resta uma pergunta. Afinal, como surge este nome para uma revista de cultura? “Três motivos para o nome: ironia, subversão e portugalidade. Ou um quarto e principal: marketing. O nome surge pela intenção de representar algo português, ligado à história cultural do país”. “No entanto, se o único motivo fosse esse, chamar-se-ia Variações ou Eusébio. Depois, quisemos aliar a ironia e Ágata estava na mesa. Por fim, o marketing ditou Salazar”. Explicado o nome, o responsável pelo projeto refere que críticas já receberam, mas deixa a mensagem: “Com humildade, preferimos que critiquem o nome e apreciem o conteúdo”.
Dia 8 de fevereiro está disponível a magazine bimestral “que contempla a publicação digital gratuita e uma versão em papel que pode ser encomendada no sítio oficial”.
Filipe Santa-Bárbara
Fonte: Briefing

